PROGRAMA
EDUCATIVO




 Corpo Nacional de Escutas
Texto aprovado no Conselho Nacional de Representantes, reunido em Fátima, no dia 21 de
Novembro de 2009.




                            – Entrada em vigor no início do ano escutista 2010-2011 –


               – A ser avaliado quanto à aplicação, adequação e actualidade em 2014 e em 2018 –




Este documento resulta do Processo de Renovação da Acção Pedagógica – RAP, levado a cabo no Corpo Nacional de
Escutas de 2001 a 2009. Este processo contou com a contribuição de centenas de Dirigentes, das estruturas locais,
regionais e nacional, ao longo dos oito anos que durou, em diversos tipos de sessões e eventos. No ano escutista
2008-2009, a proposta então existente foi experimentada numa fase piloto que envolveu 92 Agrupamentos de 19
Regiões.



A todos aqueles que contribuíram activamente para a presente formulação do Programa Educativo do Corpo Nacio-
nal de Escutas, uma palavra de particular apreço e reconhecimento.




                                                                            Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
                                                                                         Fernando Pessoa, in Mensagem
PROGRAMA EDUCATIVO DO
    CORPO nACIOnAl DE ESCUTAS
O Corpo Nacional de Escutas é uma associação de educação não-formal, cuja finalidade é a educação integral de crianças e jovens de
ambos os géneros, com base em voluntariado adulto, em conformidade com as finalidades, princípios e métodos concebidos pelo
Fundador do Escutismo – Lord Baden-Powell of Gilwell – e vigentes na Organização Mundial do Movimento Escutista, e à luz do Evan-
gelho de Jesus Cristo, segundo a doutrina da Igreja Católica Romana, que professa, assume e difunde.


O Programa Educativo do Corpo Nacional de Escutas é a totalidade daquilo que as crianças e os jovens fazem no Escutismo Católico
Português [as actividades], como o fazem [o método] e a razão porque o fazem [a finalidade].




FInAlIDADE
PROPOSTA EDUCATIVA DO CnE

A Proposta Educativa do Corpo Nacional de Escutas constitui a declaração das finalidades últimas da Associação, expressando a
sua intenção educativa, com base na análise das necessidades e aspirações dos jovens num determinado tempo e num contexto
sócio-cultural específico.


Neste âmbito, a intenção educativa do Corpo Nacional de Escutas, adequada ao tempo e à sociedade portuguesa presentes, está
expressa na Proposta Educativa “Educamos. Para quê?”.




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EDUCAMOS. PARA QUÊ?
Uma Proposta Educativa do Corpo Nacional de Escutas

O CnE ajuda jovens a crescer

       …a procurar a sua própria Felicidade e a contribuir decisivamente para a dos outros.
       …a descobrir e viver segundo os Valores do Homem Novo.


O CnE procura, através do Método Escutista, ajudar cada jovem a educar-se…

...para se tornar consciente do Ser;

   •   uma pessoa responsável, autónoma e perseverante; justa, leal e honesta
   •   uma pessoa criativa e ousada face aos desafios e que cultiva o espírito crítico de modo a distinguir o essencial
   •   uma pessoa alegre, sensível e compreensiva, consciente de si própria, das suas limitações e potencialidades
   •   uma pessoa solidária e fraterna, que promove o respeito e a tolerância na sua relação com os outros
   •   uma pessoa que assume integralmente o seu compromisso cristão como opção de vida
   •   uma pessoa que respeita o seu corpo como manifestação de vida e com ele se relaciona de forma equilibrada


...para se tornar detentor de Saber;

   •   uma pessoa que reconhece as suas imperfeições e as procura superar de uma forma constante
   •   uma pessoa que busca sempre mais e usa esses conhecimentos para fundamentar as suas decisões, expressando ade-
       quadamente as suas ideias
   •   uma pessoa que valoriza as sua emoções e afectos, vivendo-os em equilíbrio
   •   uma pessoa atenta ao Mundo, no qual identifica o seu papel, valorizando o trabalho em equipa
   •   uma pessoa que procura aprofundar sempre o seu esclarecimento na Fé
   •   uma pessoa que conhece as capacidades e limites do seu corpo, reconhecendo as ameaças ao mesmo


...para se tornar preparado para Agir;

   •   uma pessoa que, comprometendo-se, age de acordo com as suas opções, respeitando os outros e o mundo
   •   uma pessoa empreendedora, activa no desenvolvimento de iniciativas e que cuida da sua própria formação
   •   uma pessoa que cultiva amizades e que vive o amor de uma forma plena, dando disso testemunho em família
   •   uma pessoa que assume o seu papel na comunidade, exercendo a cidadania de uma forma participativa e generosa
   •   uma pessoa que evangeliza pelo testemunho e pela partilha, no respeito pelas convicções dos outros, contribuindo
       assim para a construção da paz
   •   uma pessoa que, reconhecendo o seu corpo como meio para transformar o Mundo, cuida dele em harmonia com o
       ambiente


O CnE ajuda jovens a crescer...

       ...para que com o Ser, Saber e Agir se tornem homens e mulheres responsáveis e membros activos de comunidades, na
       construção de um mundo melhor.




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PROJECTO EDUCATIVO DO CnE
O Projecto Educativo do Corpo Nacional de Escutas é o conjunto de objectivos e métodos, traduzidos em oportunidades, que con-
tribuem para a construção de um percurso de desenvolvimento pessoal das crianças e jovens, sendo simultaneamente uno e plural.
Uno, pois suporta uma pedagogia educativa para as crianças e os jovens dos 6 aos 22 anos, consubstanciando o método escutista
criado por Lord Baden-Powell of Gilwell; plural, porque composto por quatro projectos sequencialmente complementares, que são
os Projectos Educativos de cada Secção.




                                                                                                                                Foto: Maria Helena Guerra
PERSPECTIVA EDUCATIVA
O Corpo Nacional de Escutas, na sua abordagem educativa, considera o desenvolvimento de todos os aspectos da personalidade das
crianças e dos jovens, perspectivando-os – na sequência do processo internacional de Renovação da Acção Pedagógica, observadas as
intenções do Fundador para o Movimento Escutista e englobando todas as dimensões da personalidade humana – em seis áreas de
desenvolvimento pessoal, conforme abaixo.


         Desenvolvimento afectivo                                  os sentimentos e as emoções

         Desenvolvimento social                                    a integração social

         Desenvolvimento intelectual                               a inteligência

         Desenvolvimento físico                                    o corpo

         Desenvolvimento do carácter                               a atitude

         Desenvolvimento espiritual                                o sentido de Deus

Em cada uma das áreas de desenvolvimento pessoal estão identificadas prioridades educacionais – três trilhos educativos – que to-
mam em consideração as necessidades e aspirações das crianças e dos jovens em particular – os objectivos educativos. Entende-se
por trilho educativo cada eixo de crescimento a explorar em cada área de desenvolvimento pessoal, no âmbito dos quais se definem
os objectivos de desenvolvimento pessoal.




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Áreas              Trilhos            Os objectivos de cada trilho relacionam-se com

                      Relacionamento         auto-expressão; intereducação; valorização dos laços
                       e sensibilidade       familiares; opção de vida; sentido do belo e do estético
     Área de
 Desenvolvimento        Equilíbrio           saber lidar com as emoções “controlar/exprimir”; manter
                        emocional            um estado interior de liberdade; maturidade
    Afectivo
                       Auto-estima           conhecer-se; aceitar-se; valorizar-se



                       Exercer activa-       direitos e deveres; tolerância social; intervenção social
                      mente cidadania
     Área de
 Desenvolvimento      Solidariedade e        serviço; interajuda; tolerância
                         tolerância
     Social
                        Interacção e         assertividade; espírito de equipa; assumir o seu papel nos
                        cooperação           grupos de pertença



                         Procura do          desejo do saber; procura e selecção de informação; iniciativa;
                       conhecimento          auto-formação
     Área de
                                             capacidade de análise e síntese; utilização de novas técnicas e
 Desenvolvimento       Resolução de          métodos; selecção de estratégias de resolução; análise crítica da
                        problemas
  Intelectual                                solução encontrada; capacidade de adaptação a novas situações

                       Criatividade e        apresentação lógica de ideias; criatividade; discurso
                         Expressão           adequado



                                             rentabilizar e desenvolver as suas capacidades, destreza
                       Desempenho            física; conhecer os seus limites

     Área de
                                             conhecimento e aceitação do seu corpo e do seu processo
 Desenvolvimento     Auto-conhecimento       de maturação
     Físico
                                             manutenção e promoção: exercício; higiene; nutrição; evitar
                      Bem-estar físico
                                             comportamentos de risco



                                             tornar-se independente; capacidade de optar; construir o seu
                        Autonomia            quadro de referências

     Área de
                                             ser consequente; perseverança e empenho; levar a bom
Desenvolvimento do   Responsabilidade        termo um projecto assumido
    Carácter
                                             viver de acordo com o seu sistema de valores; defender as
                        Coerência
                                             suas ideias



                                             disponibilidade interior; interiorização progressiva; busca do
                        Descoberta           transcendente no específico cristão
     Área de
                                             dar testemunho pelos actos do dia-a-dia; viver em comuni-
 Desenvolvimento      Aprofundamento         dade; estar aberto ao diálogo inter-religioso
   Espiritual
                                             integração e participação activa na Igreja; participar na
                          Serviço
                                             construção de um mundo novo; evangelização

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OBJECTIVOS EDUCATIVOS
As necessidades e aspirações das crianças e dos jovens, em cada uma das seis áreas de desenvolvimento pessoal, por um lado, e a ca-
pacidades [conhecimentos, competências e atitudes] por estes adquiridas nessas mesmas áreas, constituem os objectivos educativos,
que se organizam em trilhos educativos.


Existem objectivos educativos finais, que são os objectivos a serem atingidos, em cada área, no final do percurso educativo, e existem
objectivos educativos de secção, que constituem metas intermédias a serem cumpridas aquando da transição de uma Secção para a
subsequente.


Assim, para cada área de desenvolvimento pessoal, e dentro destas para cada trilho educativo, foram definidos objectivos educativos
finais e, subsequentemente, objectivos educativos de secção, os quais se descrevem de seguida.




                                                                                                                                     Foto: Gonçalo Vieira




                                                                  5
Desenvolvimento Afectivo
Dimensão da personalidade: os sentimentos e as emoções


Trilhos Educativos:
 • Relacionamento e sensibilidade [auto-expressão; intereducação; valorização dos laços familiares; opção de vida; sentido do belo
    e do estético]
 • Equilíbrio emocional [saber lidar com as emoções “controlar/exprimir”; manter um estado interior de liberdade; maturidade]
 • Auto-estima [conhecer-se; aceitar-se; valorizar-se]




                                                                                                                                           Foto: Maria Helena Guerra
      Trilho Educativo           Relacionamento e sensibilidade [auto-expressão; intereducação; valorização
                                 dos laços familiares; opção de vida; sentido do belo e do estético]

            I Secção                       II Secção                           III Secção               Objectivo Educativo Final

  I-A1. Escolho as minhas         II-A1. Comprometo-me com            III-A1. Valorizo as minhas        F-A1. Valorizar e demons-
  amizades e dou-me bem com       o bem-estar e crescimento           relações afectivas e demons-      trar sensibilidade nas suas
  todos.                          do grupo, mantendo uma re-          tro equilíbrio na gestão de       relações afectivas, de modo
                                  lação amigável com os outros        conflitos.                        consequente com a opção de
                                  elementos.                                                            vida assumida.

  I-A2.Escuto e respeito os       II-A2. Valorizo a minha famí-       III-A2. Comprometo-me
  mais velhos, tendo os pais      lia e assumo o meu papel no         com o bem-estar da minha
  como exemplo.                   seio da mesma.                      família.



  I-A3. Distingo aquilo que       II-A3. Expresso interesse           III-A3. Reconheço que exis-       F-A2. Respeitar a existência de
  gosto e não gosto e consigo     e espírito crítico por uma          tem diversas sensibilidades       várias sensibilidades estéticas
  falar sobre isso.               forma de arte.                      estéticas e partilho os meus      e artísticas, formando a sua
                                                                      gostos.                           opinião com sentido crítico.



  I-A4. Sei que meninos e         II-A4. Aceito as diferentes         III-A4. Encaro com naturalidade   F-A3. Assumir a própria sexuali-
  meninas se comportam de         formas de demonstrar sen-           a minha sexualidade e procuro     dade aceitando a complemen-
  maneira diferente e respeito    timentos, nos rapazes e nas         integrá-la harmoniosamente        taridade Homem / Mulher
  isso.                           raparigas.                          na minha vida, respeitando-me     e vivê-la como expressão
                                                                      a mim e aos outros.               responsável de amor.



                                                                  6
Trilho Educativo            Equilíbrio emocional [saber lidar com as emoções “controlar/exprimir”; man-
                                ter um estado interior de liberdade; maturidade]

          I Secção                        II Secção                           III Secção              Objectivo Educativo Final

I-A5. Sou capaz de falar        II-A5. Reconheço e exprimo           III-A5. Ajo de forma pondera-     F-A4. Ser capaz de identificar,
daquilo que sinto.              as minhas emoções com                da e reflectida, respeitando      compreender e expressar
                                naturalidade e sem magoar            os sentimentos dos outros.        as suas emoções, tendo em
                                os outros.                                                             conta o contexto e os senti-
                                                                                                       mentos dos outros.
                                                                     III-A6. Reconheço quando me
                                                                     excedo e esforço-me por cor-
                                                                     rigir o meu comportamento.




    Trilho Educativo            Auto-estima [conhecer-se; aceitar-se; valorizar-se]



         I Secção                        II Secção                            III Secção              Objectivo Educativo Final

I-A6. Sei quais são as minhas   II-A6. Assumo as minhas              III-A7. Reconheço as carac-      F-A5. Reconhecer e aceitar
qualidades e os meus de-        qualidades e defeitos.               terísticas da minha persona-     as características da sua per-
feitos.                                                              lidade.                          sonalidade, mantendo uma
                                                                                                      atitude de aperfeiçoamento
                                                                                                      constante.
I-A7. Esforço-me por ser        II-A7. Reconheço os meus             III-A8. Reconheço que erro e
melhor.                         erros e procuro corrigi-los.         comprometo-me a melhorar
                                                                     as minhas características
                                                                     menos positivas.




I-A8. Esforço-me por fazer      II-A8. Empenho-me em                 III-A9. Aceito as minhas         F-A6. Valorizar as próprias ca-
tudo, mesmo quando tenho        ultrapassar as minhas dificul-       próprias limitações, esforçan-   pacidades, superando limita-
medo ou acho que não sou        dades e melhorar tudo o que          do-me sempre por melhorar.       ções e adoptando uma atitude
capaz.                          tenho de bom.                                                         positiva perante a vida.
                                                                     III-A10. Conheço bem as
                                                                     minhas capacidades e invisto
                                                                     no meu desenvolvimento.




                                                                 7
Desenvolvimento Social
Dimensão da personalidade: a integração social


Trilhos Educativos:
 • Exercer activamente cidadania [direitos e deveres; tolerância social; intervenção social]
 • Solidariedade e tolerância [serviço; interajuda; tolerância]
 • Interacção e cooperação [assertividade; espírito de equipa; assumir o seu papel nos grupos de pertença]




                                                                                                                                           Foto: Autor desconhecido
      Trilho Educativo            Exercer activamente cidadania [direitos e deveres; tolerância social; interven-
                                  ção social]

             I Secção                       II Secção                          III Secção                Objectivo Educativo Final

  I-S1. Conheço as regras de      II-S1. Dou exemplo de cum-          III-S1. Conheço os meus            F-S1. Conhecer e exercer
  boa educação que me fazem       primento das regras de boa          deveres e direitos e promovo       os seus direitos e deveres
  dar bem com os outros.          convivência na comunidade.          que, à minha volta, os outros      enquanto cidadão.
                                                                      os conheçam.




  I-S2. Participo da melhor       II-S2. Descubro a necessida-        III-S2. Participo activamente      F-S2. Participar activa e
  vontade em todas as activi-     de de participar nos vários         nas comunidades em que me          conscientemente nos vários
  dades                           grupos onde me integro .            insiro, intervindo na promo-       espaços sociais onde se insere,
                                                                      ção de causas comuns.              intervindo de uma forma
  I-S3. Respeito aquilo que é     II-S3. Cuido do que é de                                               informada, respeitadora e
  de todos.                       todos.                                                                 construtiva.



  I-S4. Não me aborreço            II-S4. Aceito as derrotas em       III-S3. Quando perco uma vota-     F-S3. Respeitar as regras
  quando perco nas votações e      todas as situações, com res-       ção, aceito a decisão e trabalho   democráticas e assumir como
  nos jogos.                       peito e sem desanimar.             nesse sentido.                     suas as decisões tomadas
                                                                                                         colectivamente.




                                                                  8
Trilho Educativo           Solidariedade e tolerância [serviço; interajuda; tolerância]


           I Secção                     II Secção                            III Secção               Objectivo Educativo Final

I-S5. Procuro ser útil aos     II-S5. Sou sensível às situa-       III-S4. Identifico situações       F-S4. Assumir que é parte da
outros no meu dia-a-dia.       ções de necessidade no meio         em que posso ser útil na           sociedade onde se insere,
                               que me rodeia e procuro ser         resolução ou minimização de        agindo numa perspectiva
                               útil na sua resolução.              um problema social.                de serviço libertador e de
                                                                                                      construção de futuro.
                                                                   III-S5. Participo, sozinho ou
                                                                   em equipa, na resolução ou
                                                                   minimização de um proble-
                                                                   ma social.




I-S6. Sou capaz de escutar e   II-S6. Sei manter um diálogo,       III-S6. Exponho as minhas          F-S5. Usar de empatia na
dar importância às opiniões    apresentando os meus argu-          ideias, respeitando e valorizan-   forma de comunicar com
dos outros, aguardando a       mentos com entusiasmo e             do as dos outros.                  os outros, demonstrando
minha vez de falar.            ouvindo os dos outros.                                                 tolerância e respeito perante
                                                                                                      outros pontos de vista.




    Trilho Educativo           Interacção e cooperação [assertividade; espírito de equipa; assumir o seu
                               papel nos grupos de pertença]

           I Secção                     II Secção                            III Secção               Objectivo Educativo Final

I-S7. Sou capaz de trabalhar   II-S7. Reconheço as vanta-          III-S7. Valorizo as diferentes     F-S6. Mostrar capacidade de
com os outros.                 gens de trabalhar em grupo          funções no grupo e desem-          relacionamento e trabalho
                               e contribuo com os meus             penho o melhor possível            em equipa, contribuindo
                               conhecimentos e o meu               aquelas que me são confia-         activamente para o sucesso
                                                                                                      do colectivo através do de-
                               trabalho.                           das.
                                                                                                      sempenho com competência
                                                                                                      do seu papel.




I-S8. Sou amigo dos outros     II-S8. Demonstro que sei            III-S8. Respeito as necessidades   F-S7. Assumir papéis de
quando sou eu a mandar.        orientar respeitando as opi-        do grupo, nunca sobrepondo a       liderança, de forma equilibra-
                               niões dos outros.                   minha liderança.                   da, tendo em conta as suas
                                                                                                      necessidades e as do grupo.




                                                               9
Desenvolvimento Intelectual
Dimensão da personalidade: a inteligência


Trilhos Educativos:
 • Procura do conhecimento [desejo do saber; procura e selecção de informação; iniciativa; auto-formação]
 • Resolução de problemas [capacidade de análise e síntese; utilização de novas técnicas e métodos; selecção de estratégias de
    resolução; análise crítica da solução encontrada; capacidade de adaptação a novas situações]
 • Criatividade e Expressão [apresentação lógica de ideias; criatividade; discurso adequado]




                                                                                                                                             Foto: Telmo Domingues
      Trilho Educativo            Procura do conhecimento [desejo do saber; procura e selecção de informa-
                                  ção; iniciativa; auto-formação]

             I Secção                       II Secção                            III Secção              Objectivo Educativo Final

  I-I1. Proponho à Alcateia       II-I1. Procuro descobrir o            III-I1. Procuro sempre           F-I1. Procurar de forma
  temas novos para pesquisar.     mundo que me rodeia, a par-           aumentar os meus conhe-          activa e continuada novos
                                  tir das minhas experiências.          cimentos, diversificando as      saberes e vivências, como
                                                                        vivências.                       forma de contribuir para o
                                                                                                         seu crescimento pessoal.




  I-I2. Sei onde procurar e       II-I2. Conheço e utilizo dife-        III-I2. Sei onde procurar a      F-I2. Conhecer e utilizar
  guardar novas informações.      rentes meios de recolha da            informação e selecciono-a de     formas adequadas de recolha
                                  informação.                           acordo com as necessidades.      e tratamento de informação
                                                                                                         e, dentro dessas, distinguir o
                                                                                                         essencial do acessório.




  I-I3. Sou capaz de escolher o   II-I3. Descubro as minhas             III-I3. Conheço as minhas        F-I3. Definir o seu itinerário de
  que mais gostava de fazer e     aptidões e aprofundo os               aptidões, sou capaz de optar     formação preocupando-se em
  aprender.                       assuntos que me interessam            por uma área profissional ou     mantê-lo actualizado.
                                  e podem ser úteis no futuro.          de estudo e identificar outros
                                                                        domínios de interesse pessoal.




                                                                   10
Trilho Educativo           Resolução de problemas [capacidade de análise e síntese; utilização de novas
                               técnicas e métodos; selecção de estratégias de resolução; análise crítica da
                               solução encontrada; capacidade de adaptação a novas situações]
           I Secção                      II Secção                              III Secção               Objectivo Educativo Final

I-I4. Sou desembaraçado e      II-I4. Enfrento situações no-          III-I4. Sei avaliar as experiên-   F-I4. Adaptar-se e superar no-
uso as coisas que aprendo      vas usando o que aprendi.              cias que vivo e utilizo o que      vas situações, avaliando-as à luz
para resolver problemas.                                              aprendo de forma criativa          de experiências anteriores e
                                                                      nas novas situações que            conhecimentos adquiridos.
                                                                      enfrento.




I-I5. Sei dizer quando há um    II-I5. Consigo identificar, de        III-I5. Analiso problemas,          F-I5. Analisar os problemas de
problema e o que é preciso      forma organizada, as causas           proponho soluções e escolho a       forma crítica, sugerindo e apli-
fazer para o resolver.          de um problema e propor               mais adequada.                      cando estratégias de resolução
                                soluções.                                                                 dos mesmos.




    Trilho Educativo           Criatividade e Expressão [apresentação lógica de ideias; criatividade; discurso
                               adequado]

           I Secção                      II Secção                              III Secção               Objectivo Educativo Final

I-I6. Gosto de imaginar e de   II-I6. Aceito desafios que me          III-I6. Assumo o desafio           F-I6. Ser capaz de utilizar co-
fazer coisas novas.            fazem imaginar e criar coisas          de criar ideias e projectos        nhecimentos, percepções e
                               diferentes.                            inovadores em que relaciono        intuições na criação de novas
                                                                      os meus conhecimentos e            ideias e obras, mantendo um
                                                                                                         espírito aberto e inovador.
                                                                      gostos.




I-I7. Sou capaz de apresen-    II-I7. Utilizo de modo criativo        III-I7. Apresento ideias e         F-I7. Expressar ideias e emo-
tar e explicar aquilo que      diferentes formas de expres-           emoções de forma criativa, ex-     ções de forma lógica e criativa,
imagino.                       sar ideias e emoções.                  plorando diferentes técnicas e     adaptada ao[s] destinatário[s]
                                                                      meios e adequando-as a quem        e utilizando os meios adequa-
                                                                      me dirijo.                         dos.




                                                                 11
Desenvolvimento Físico
Dimensão da personalidade: o corpo



Trilhos Educativos:
 • Desempenho [rentabilizar e desenvolver as suas capacidades, destreza física; conhecer os seus limites]
 • Auto-conhecimento [conhecimento e aceitação do seu corpo e do seu processo de maturação]
 • Bem-estar físico [manutenção e promoção: exercício; higiene; nutrição; evitar comportamentos de risco]




                                                                                                                                         Foto: Ary da Cunha
      Trilho Educativo             Desempenho [rentabilizar e desenvolver as suas capacidades, destreza física;
                                   conhecer os seus limites]

             I Secção                        II Secção                              III Secção           Objectivo Educativo Final

  I-F1. Participo em actividades   II-F1. Pratico actividades físi-        III-F1. Testo de forma res-   F-F1. Praticar actividade
  físicas que me ajudam a ser      cas em que testo as minhas              ponsável os limites do meu    física que promova o desen-
  mais ágil e habilidoso.          capacidades e torno-me mais             corpo e pratico actividades   volvimento e manutenção
                                   ágil, flexível e desembara-             físicas que me permitem       da agilidade, flexibilidade e
                                                                                                         destreza de forma adequada
                                   çado.                                   conseguir um desenvolvi-
                                                                                                         à sua idade, capacidade e
                                                                           mento equilibrado.
                                                                                                         limitações.




                                                                      12
Trilho Educativo            Auto-conhecimento [conhecimento e aceitação do seu corpo e do seu proces-
                                so de maturação]

           I Secção                      II Secção                               III Secção               Objectivo Educativo Final

I-F2. Conheço os principais     II-F2. Aceito que o meu cor-           III-F2. Aceito as característi-     F-F2. Conhecer e aceitar o
órgãos do meu corpo, sei        po está a mudar e respeito             cas próprias do meu corpo e        desenvolvimento e amadu-
onde estão localizados e para   os diferentes ritmos de                respeito as diferenças físicas     recimento do seu corpo com
que servem.                     desenvolvimento quando me              entre as pessoas.                  naturalidade.
                                comparo com os outros.




I-F3. Conheço as principais     II-F3. Conheço o diferente rit-        III-F3. Reconheço que homens       F-F3. Conhecer as caracte-
diferenças do corpo das         mo de crescimento dos rapa-            e mulheres têm características     rísticas fisiológicas do corpo
meninas e dos meninos.          zes e raparigas e respeito o           físicas diferentes e respeito os   masculino e feminino e a sua
                                espaço próprio de cada um.             comportamentos e necessida-        relação com o comportamen-
                                                                       des que vão surgindo.              to e necessidades individuais.




    Trilho Educativo            Bem-estar físico [manutenção e promoção: exercício; higiene; nutrição; evitar
                                comportamentos de risco]

           I Secção                      II Secção                               III Secção               Objectivo Educativo Final

I-F4. Sei o que devo e não      II-F4. Sei equilibrar as minhas        III-F4. Faço escolhas saudá-       F-F4. Cultivar um estilo de
devo comer e que tenho de       actividades físicas com o              veis a nível da minha alimen-      vida saudável e equilibrado
descansar.                      descanso e uma alimentação             tação, repouso e actividades       – alimentação, actividade
                                saudável.                              físicas.                           física e repouso –, adaptado
                                                                                                          a cada fase do seu desenvol-
                                                                                                          vimento.



I-F5. Cuido do meu corpo e      II-F5. Esforço-me por ter              III-F5. Tomo as medidas            F-F5. Cuidar e valorizar o
do meu aspecto.                 bom aspecto e tenho hábitos            necessárias para o meu             seu corpo de acordo com os
                                regulares de higiene que               bem-estar físico e ando            padrões de saúde, revelando
                                contribuem para a minha                aprumado.                          aprumo.
                                saúde.




I-F6. Sei que há comporta-      II-F6. Identifico e evito com-         III-F6. Conheço os malefícios      F-F6. Identificar e evitar, na
mentos e produtos que me        portamentos e substâncias              das substâncias e comporta-        vida quotidiana, os comporta-
podem fazer mal.                prejudiciais à saúde.                  mentos de risco e evito-os.        mentos de risco relacionados
                                                                                                          com a segurança física e
                                                                                                          consumo de substâncias.




                                                                  13
Desenvolvimento do Carácter
Dimensão da personalidade: a atitude


Trilhos Educativos:
 • Autonomia [tornar-se independente; capacidade de optar; construir o seu quadro de referências]
 • Responsabilidade [ser consequente; perseverança e empenho; levar a bom termo um projecto assumido]
 • Coerência [viver de acordo com o seu sistema de valores; defender as suas ideias]




                                                                                                                                        Foto: Maria Helena Guerra
      Trilho Educativo           Autonomia [tornar-se independente; capacidade de optar; construir o seu
                                 quadro de referências]

             I Secção                     II Secção                             III Secção            Objectivo Educativo Final

 I-C1. Sei a Lei e as Máximas    II-C1. Conheço e compre-              III-C1. Escolho consciente-    F-C1. Possuir e desenvolver
 da Alcateia e percebo o que     endo a Lei do Escuta e os             mente as minhas referências    um quadro de valores que
 querem dizer.                   Princípios.                           e valores fundamentais.        são fruto de uma opção
                                                                                                      consciente.




  I-C2. Tenho em conta a opi-    II-C2. Assumo as minhas opi-          III.C2. Sou capaz de fazer     F-C2. Ser capaz de formular
  nião dos mais velhos quando    niões, participando activa-           opções e de reconhecer as      e construir as suas próprias
  tomo decisões.                 mente nas decisões que me             suas implicações.              opções, assumindo-as com
                                 dizem respeito.                                                      clareza.




  I-C3. Participo em activi-      II-C3. Escolho e participo em        III-C3. Estabeleço para mim,   F-C3. Mostrar-se responsável
  dades que me ajudam a           actividades que me ajudam            com regularidade, metas a      pelo seu desenvolvimento, co-
  aprender coisas novas.          a crescer.                           atingir em várias áreas da     locando a si próprio objectivos
                                                                       minha vida.                    de progressão pessoal.




                                                                  14
Trilho Educativo           Responsabilidade [ser consequente; perseverança e empenho; levar a bom
                               termo um projecto assumido]

           I Secção                     II Secção                             III Secção              Objectivo Educativo Final

I-C4. Cumpro as tarefas que    II-C4. Desempenho o papel             III-C4. Correspondo à confian-    F-C4. Demonstrar empenho
me são dadas, porque sei       que me é atribuído dentro             ça que em mim depositam.          e vontade de agir, assumindo
que isso é importante para     dos grupos a que pertenço                                               as suas responsabilidades
todos.                         com responsabilidade e                III-C5. Reconheço a impor-        em todos os projectos que
                                                                                                       enceta, estabelecendo priori-
                               empenho.                              tância das minhas tarefas,
                                                                                                       dades e respeitando-as.
                                                                     estabeleço prioridades e
                                                                     respeito-as.

I-C5. Não desisto, mesmo       II-C5. Não desanimo perante           III-C6. Encaro os obstáculos     F-C5. Demonstrar perseverança
quando as tarefas são          as dificuldades e procuro             sem desistir de encontrar        nos momentos de dificuldade,
difíceis.                      sempre aprender com elas.             soluções ou alternativas e re-   procurando ultrapassá-los com
                                                                     conhecendo as lições a tirar.    optimismo.




I-C6. Reconheço que as          II-C6. Prevejo as consequên-         III-C7. Assumo as minhas ac-      F-C6. Ser consequente com as
minhas acções têm conse-        cias que as minhas acções/           ções, aceitando as consequên-     opções que toma, assumindo
quências.                       decisões têm na vida dos             cias das mesmas para mim ou       a responsabilidade pelos seus
                                grupos de que faço parte.            para os grupos a que pertenço.    actos.




    Trilho Educativo           Coerência [viver de acordo com o seu sistema de valores; defender as suas
                               ideias]

          I Secção                      II Secção                             III Secção              Objectivo Educativo Final

I-C7. Defendo o que me         II-C7. Defendo as ideias e            III-C8. Partilho e defendo       F-C7. Ser consistente e
parece certo de forma alegre   comportamentos que me                 aquilo em que acredito de        convicto na defesa das suas
e calma.                       parecem correctos.                    forma serena e fundamen-         ideias e valores.
                                                                     tada.




I-C8. Mostro, pelas minhas     II-C8. Demonstro que os               III-C9. Ajo, em cada dia, de     F-C8. Dar testemunho, agindo
acções, que conheço a Lei e    meus comportamentos diá-              acordo com as convicções e       em coerência com o seu siste-
as Máximas da Alcateia.        rios estão de acordo com a            referências que vou tomando      ma de valores.
                               Lei do Escuta e os Princípios.        para mim, tendo consciência
                                                                     do testemunho que dou aos
                                                                     outros




                                                                15
Desenvolvimento Espiritual
Dimensão da personalidade: o sentido de Deus


Trilhos Educativos:
 • Descoberta [disponibilidade interior; interiorização progressiva; busca do transcendente no específico cristão]
 • Aprofundamento [dar testemunho pelos actos do dia-a-dia; viver em comunidade; estar aberto ao diálogo inter-religioso]
 • Serviço [integração e participação activa na Igreja; participar na construção de um mundo novo; evangelização]




                                                                                                                                       Foto: João Lagartinho
      Trilho Educativo           Descoberta [disponibilidade interior; interiorização progressiva; busca do
                                 transcendente no específico cristão]

             I Secção                      II Secção                           III Secção            Objectivo Educativo Final

 I-E1. Conheço as primeiras       II-E1. Conheço e compre-            III-E1. Conheço e compreen-    F-E1. Conhecer e compreen-
 histórias da Bíblia.             endo a história dos heróis          do a vida dos profetas.        der o modo como Deus se
                                  que procuraram alcançar a                                          deu a conhecer à huma-
                                  Terra Prometida, a partir da                                       nidade, propondo-lhe um
                                                                                                     Projecto de Felicidade Plena
                                  Aliança.
                                                                                                     [História da Salvação].



  I-E2. Sei como Jesus nasceu     II-E2. Conheço e percebo a          III-E2. Conheço e percebo a    F-E2. Conhecer em profun-
  e que Ele quer ser o meu        mensagem contida nas pa-            vida de Jesus com os Após-     didade a mensagem e a pro-
  melhor amigo.                   rábolas e milagres de Jesus         tolos.                         posta de Jesus Cristo [Mistério
                                  Cristo.                                                            da Encarnação e Mistério
                                                                                                     Pascal].




  I-E3. Sei que a Igreja é uma    II-E3. Descubro que somos           III.E3. Reconheço que cada     F-E3. Reconhecer que a
  família a que eu pertenço.      Igreja e que nela todos             membro da Igreja é diferente   pertença à Igreja é um sinal
                                  temos um papel a desem-             e que isso é importante e      de Deus no mundo de hoje
                                  penhar.                             enriquece a comunidade.        [Igreja Sacramento Universal
                                                                                                     de Salvação].




                                                                 16
Trilho Educativo            Aprofundamento [dar testemunho pelos actos do dia-a-dia; viver em comuni-
                                dade; estar aberto ao diálogo inter-religioso]

           I Secção                       II Secção                              III Secção              Objectivo Educativo Final

I-E4. Sei que a oração diária   II-E4. Sei que me relaciono             III-E4. Vivo a oração como        F-E4. Aprofundar os hábitos
é a maneira de eu falar com     com Deus sempre que faço                parte do meu quotidiano e         de oração pessoal e assumir-
Jesus.                          oração pessoal e participo na           participo nas celebrações         se como membro activo da
                                oração comunitária.                     comunitárias.                     Igreja na celebração comu-
                                                                                                          nitária.




I-E5. Imito Jesus, porque       II-E5. Integro-me cada vez              III-E5. Conheço a perspectiva    F-E5. Integrar na sua vida os
sei que Ele é um exemplo a      mais na minha comunida-                 da Igreja sobre os temas         valores do Evangelho, vivendo
seguir.                         de paroquial, através da                principais a partir da funda-    as propostas da Igreja.
                                catequese, celebrando os                mentação Bíblica.
                                sacramentos que a Igreja me
                                propõe.



I-E6. Identifico diferentes      II-E6. Identifico as principais        III-E6. Aprofundo as razões da    F-E6. Conhecer as principais
religiões.                       diferenças e semelhanças               minha fé no contacto com as       religiões distinguindo e valo-
                                 entre as religiões.                    outras religiões.                 rizando a identidade da Igreja
                                                                                                          Católica.




    Trilho Educativo            Serviço [integração e participação activa na Igreja; participar na construção de
                                um mundo novo; evangelização]

           I Secção                       II Secção                               III Secção             Objectivo Educativo Final

I-E7. Respeito a Criação de     II-E7. Cuido e protejo a                III-E7. Defendo a vida huma-     F-E7. Testemunhar que a
Deus [pessoas e Natureza]       Natureza,consciente de que              na como um valor absoluto.       presença de Deus no mundo
                                isso é importante para a vida                                            dignifica a vida humana e a
                                das pessoas.                                                             Natureza.




I-E8. Falo de Jesus aos meus    II.E8. Falo da minha vivência           III-E8. Sei o que é ser “Sal      F-E8. Viver o compromisso
amigos e explico-lhes porque    em comunidade e convido                 da Terra e Luz do Mundo”          Cristão como missão no
é que Ele é importante para     outros a participar.                    e ponho-me ao serviço dos         mundo em todas as dimen-
mim.                                                                    outros.                           sões [humanas, sociais,
                                                                                                          económicas, culturais e
                                                                                                          políticas].




                                                                   17
MéTODO
ESTRUTURA EDUCATIVA
Em termos pedagógicos, o Corpo Nacional de Escutas organiza as crianças e jovens em quatro Secções de base etária, de acordo com
a tabela abaixo.


                         I Secção                    II Secção                  III Secção                  IV Secção

    Designação            Alcateia                   Expedição                  Comunidade                       Clã
    da Secção


    Designação
                          Lobito                     Explorador                   Pioneiro                  Caminheiro
        do
     elemento


    Faixa etária    Dos 6 aos 10 anos           Dos 10 aos 14 anos          Dos 14 aos 18 anos          Dos 18 aos 22 anos



Nos Agrupamentos em que o Escutismo é vivenciado na sua vertente marítima, as designações das Secções e dos elementos tomam
a forma constante da tabela abaixo1.


                        I Secção                    II Secção                   III Secção                  IV Secção

Designação
                          Alcateia                    Flotilha                     Frota                    Comunidade
da Secção


Designação
                          Lobito                       Moço                     Marinheiro                 Companheiro
    do
 elemento
                                                                                                                                Foto: Autor Desconhecido




1
    Neste documento, por uma questão de simplificação de texto, não se utilizam recorrentemente as designações maritímas, estando
estas sempre subentendidas.



                                                                  18
MéTODO ESCUTISTA
O método escutista, elemento pedagógico original e identitário do Escutismo, criado por Lord Baden-Powell of Gilwell, é um sistema
de auto-educação progressiva, baseado em sete elementos igualmente relevantes, conforme a figura abaixo.




                                                     Mística e
                                                    Simbologia


                          Relação                                                Vida na
                         Educativa                                               natureza

                                                       lei e
                                                     Promessa


                         Sistema de                                             Aprender
                         Progresso                                               Fazendo

                                                    Sistema de
                                                     Patrulhas


No Corpo Nacional de Escutas, o método escutista encontra-se estruturado da forma abaixo descrita, sendo realçadas, quando exis-
tam, as especificidades de cada Secção.


lei e Promessa
A Lei e a Promessa constituem o ideário fundacional e fundamental do Escutismo, agregando e apresentando os valores por este
preconizados em toda a fraternidade mundial.


No Corpo Nacional de Escutas a Lei é:


   1. A honra do Escuta inspira confiança.
   2. O Escuta é leal.
   3. O Escuta é útil e pratica diariamente uma boa acção.
   4. O Escuta é amigo de todos e irmão de todos os outros Escutas.
   5. O Escuta é delicado e respeitador.
   6. O Escuta protege as plantas e os animais.
   7. O Escuta é obediente.
   8. O Escuta tem sempre boa disposição de espírito.
   9. O Escuta é sóbrio, económico e respeitador do bem alheio.
   10. O Escuta é puro nos pensamentos, nas palavras e nas acções.


O Corpo Nacional de Escutas definiu ainda três Princípios:


   1. O Escuta orgulha-se da sua Fé e por ela orienta toda a sua vida.
   2. O Escuta é filho de Portugal e bom cidadão.
   3. O dever do Escuta começa em casa.

                                                                19
Todos os membros do Corpo Nacional de Escutas, à luz dos princípios enunciados, aderem voluntariamente à Associação, no com-
promisso com a Lei, base de toda a acção escutista, pela Promessa, concebidas pelo Fundador do Movimento Escutista, nos termos
seguintes.


          Prometo, pela minha honra e com a graça de Deus, fazer todo o possível por:
          - cumprir os meus deveres para com Deus, a Igreja e a Pátria;
          - auxiliar o meu semelhante em todas as circunstâncias;
          - obedecer à Lei do Escuta.


 No caso da Alcateia, existem as seguintes especificidades:


 lei
   1. O Lobito escuta «Àquêlà».
   2. O Lobito não se escuta a si próprio.


 Máximas
   1. O Lobito pensa primeiro no seu semelhante.
   2. O Lobito sabe ver e ouvir.
   3. O Lobito é asseado.
   4. O Lobito é verdadeiro.
   5. O Lobito é alegre.


 Promessa
       Prometo, da melhor vontade:
       - ser amigo de Jesus, amando os outros;
       - respeitar a Lei da Alcateia;
       - praticar diariamente uma boa-acção.



Mística e Simbologia
A vivência escutista, independentemente do escalão etário, baseia-se sempre num ambiente simbólico forte que lhe dá enquadra-
mento, coerência e consistência.


Cada Secção possui e vive um imaginário próprio, isto é um ambiente que a envolve e que se traduz por um espírito e uma linguagem
próprios, uma história com heróis e símbolos, induzindo a um sentimento de pertença em relação ao grupo e permitindo a transmis-
são de determinados valores:


   •      O Livro da Selva, escrito por Rudyard Kipling [em dois volumes] é o ambiente onde o Lobito vive as suas actividades.
   •      Para o Explorador, o imaginário desenvolve-se em torno da figura do próprio Explorador – aquele que vai mais longe, mais
          além, aquele que descobre.
   •      Para o Pioneiro, o imaginário desenvolve-se em torno da figura do próprio Pioneiro – aquele que desbrava, que se instala, que
          constrói, que desenvolve.
   •      Já os Caminheiros não possuem imaginário formal permanente, pois os Caminheiros, como jovens adultos, já perspectivam as
          suas acções em prática no terreno real, na vida do dia-a-dia.


Concomitantemente, cada Secção possui e vive uma mística própria, isto é uma proposta de enquadramento temático e de vivência
espiritual que visa aprofundar a descoberta de Deus e a comunhão em Igreja.


A Mística do Programa Educativo do Corpo Nacional de Escutas assenta num esquema de quatro etapas, com vista a uma formação
humana e cristã integral, sólida e madura. Estas etapas são sequenciais – cada uma é trabalhada para uma Secção, ainda que de forma
não estanque – e complementam-se [nenhuma vale por si mesma], na medida em que estão interligadas e adquirem o seu pleno


                                                                    20
sentido na sobreposição das partes. Desenrolam-se na lógica de um caminho a percorrer, constituindo um itinerário de crescimento
individual e comunitário proposto a cada Escuteiro:


   •   O louvor ao Criador: o Lobito louva DeusCriador, descobrindo-O no que o rodeia;
   •   A descoberta da Terra Prometida: o Explorador aceita a Aliança que o conduz à descoberta da Terra Prometida;
   •   A Igreja em construção: o Pioneiro assume o seu papel na construção da Igreja de Cristo;
   •   A vida no Homem Novo: o Caminheiro vive cristãmente em todas as dimensões do seu ser.


No percurso sugerido, procura-se que o Escuteiro compreenda que a sua vida tem duas dimensões, uma sobrenatural e uma natural,
e que ambas se relacionam intimamente: Cristo, Senhor da Vida, não se reduz à vivência espiritual e mística do Homem; Ele está pre-
sente na vida do dia-a-dia e ao longo de toda a existência humana. É, por isso, presença constante na vida de um Escuteiro.


Nesta perspectiva, o itinerário proposto está sempre centrado em Cristo, pois tem no Senhor o seu centro e fonte de irradiação de
sentido.




           JESUS CRISTO


           O louvor ao             A descoberta               A Igreja em                A Vida no
             Criador                 da Terra                 construção                Homem novo
                                    Prometida


                                                                           JESUS CRISTO


            O Lobito louva              O Explorador              O Pioneiro                O Caminheiro
            Deus-Criador,              aceita a Aliança         assume o seu               Vive cristãmente
            descobrindo-O               que conduz à               papel na                  em todas as
           no que o rodeia.             descoberta da           construção da               dimensões do
                                       Terra Prometida.        Igreja de Cristo.                seu ser.




Para que toda esta vivência seja completa, existe uma panóplia de símbolos – elementos/objectos representativos de realidades,
características ou atitudes que materializam o ideal proposto na mística de cada Secção – que ajudam a transmitir e reforçar o ideal
presente no imaginário e na mística.


No Projecto Educativo do CNE, todas as Secções têm o seu símbolo identificativo, podendo este ser único ou integrado num conjunto
de símbolos complementares.


O Projecto Educativo do CNE recorre ainda a patronos – santos ou beatos da Igreja que no decurso da sua vida encarnaram na pleni-
tude os valores que se pretendem transmitir através da mística e do imaginário de uma determinada Secção, sendo por isso escolhido
como protector e exemplo de vivência para os jovens dessa mesma Secção.


                                                                21
Acima de todos, temos Santa Maria, Mãe dos Escutas; seguem-se São Jorge – patrono mundial do Escutismo – e São Nuno de Santa
Maria – patrono do Corpo Nacional de Escutas.


Cada Secção tem, depois, o seu patrono próprio:


   •   Alcateia – São Francisco de Assis;
   •   Expedição – São Tiago Maior;
   •   Comunidade – São Pedro;
   •   Clã – São Paulo.


Adicionalmente, cada Secção recorre ainda a modelos de vida – figuras da Igreja Católica que, à semelhança do patrono, também en-
carnam os valores e ideais da mística e do imaginário da Secção e que exprimem a diversidade de caminhos e carismas possíveis para
os viver – e a grandes figuras históricas – personalidades que na sua vida realizaram grandes feitos, associados ao imaginário da Secção,
que marcaram a história da humanidade.




                        I Secção                     II Secção                    III Secção                    IV Secção

 Imaginário           Livro da Selva                 Explorador                       Pioneiro             sem imaginário formal
                                                  [o que descobre]                [o que constrói]



  Mística         O Louvor ao Criador          A descoberta da Terra          A Igreja em construção       A vida no Homem Novo
                                                    Prometida


 Símbolos           Cabeça de Lobo                    Flor-de-Lis                Rosa-dos-Ventos               Vara Bifurcada
                                                         Vara                       Machada                        Tenda
                                                       Chapéu                     Gota de Água                    Mochila
                                                        Cantil                        Icthus                     Evangelho
                                                        Estrela                                                      Pão
                                                                                                                    Fogo


  Patrono        São Francisco de Assis           São Tiago Maior                    São Pedro                    São Paulo




Modelos de        Santa Clara de Assis                  Abraão                  São João de Brito              São João de Deus
  Vida             Beatos Francisco                     Moisés                 Santa Teresinha do           Beata Teresa de Calcutá
                    e Jacinta Marto                      David                    Menino Jesus           Santa Teresa Benedita da Cruz
                                                   Santo António             Santa Catarina de Sena       Servo de Deus João Paulo II
                                               Santa Isabel de Portugal                                     Santo Inácio de Loyola



   Figuras                 ---                 Grandes Exploradores             Grandes Pioneiros             Grandes Homens




                                                                    22
Vida na natureza
A Vida na Natureza é, desde a sua génese, um dos elementos mais marcadamente identificadores do método escutista enquanto
proposta pedagógica.


Foi com base na exploração da Natureza e na vivência em comunhão com a Natureza, aproveitando os recursos desta e os benefícios do ar
livre, que Lord Baden-Powell of Gilwell deu os primeiros passos no desenvolvimento do Escutismo. Desde então, a Natureza constituiu sem-
pre espaço e ambiente privilegiado para o desenvolvimento das actividades escutistas, permitindo às crianças e jovens o confronto com os
seus próprios limites, o aproveitamento dos recursos naturais, a aprendizagem da vida com simplicidade, uma vivência saudável ao ar livre.


Sendo a Natureza – o campo, os cursos de água e o mar, estes últimos sobretudo no caso da vertente marítima do Escutismo – o
espaço privilegiado para o desenvolvimento de actividades escutistas, uma adequada vivência nestes ambientes exige um conjunto
de conhecimentos técnicos, de procedimentos de segurança e uma postura ética particulares, que a cada Escuteiro cumpre saber e
exercer, na medida da sua idade e maturidade, no desempenho das suas actividades.


Assim, aos elementos de cada Secção são disponibilizados materiais pedagógicos que permitem a aquisição de conhecimentos técnicos, éticos
e de segurança – incluindo os específicos para a vertente marítima do Escutismo – possibilitando-lhes viver plenamente a actividade típica da
sua Secção. Ao Dirigente compete criar oportunidades educativas, em campo, para que estas técnicas possam ser aplicadas e desenvolvidas.


Foi assim ao longo de 100 anos e continua a ser assim, na Natureza – em actividades típicas como construções em campo, jogos de
pista, acampamentos, raids, hikes, etc. – que se fez e faz Escutismo, preservando e retirando o máximo proveito pedagógico de uma
das mais interessantes especificidades do método escutista.



Aprender Fazendo
O Escutismo tem como objectivo ajudar as crianças e os jovens a desenvolver integralmente as suas capacidades, para que se tornem
membros activos e responsáveis na sua comunidade. Desenvolvimento esse que resulte progressivamente em maior autonomia da
criança ou do jovem. Para tal, esta não pode apenas ouvir dizer ‘como é que se deve fazer’ ou ver os outros a actuar. Para aprender é
necessário experimentar, sentir, estar nas situações. Isto porque a aprendizagem é um processo dinâmico e activo.


O jogo – num sentido amplo – é, pois, elemento essencial do Escutismo. Nele, a criança ou o jovem encontram desafios e obstáculos,
desenvolvem capacidades e solidariedades, aprendem e crescem com os outros e uns com os outros.


As actividades escutistas são, assim, iniciativas e acções, planeadas e desenvolvidas pelas crianças e jovens, com acompanhamento
adulto, que consubstanciam o jogo escutista e respondem às suas aspirações de descoberta e realização, contemplando uma sequên-
cia de oportunidades educativas diversificadas nas fases da escolha, planeamento, concretização e avaliação.


Agente activo na escolha dos projectos que quer realizar – motivado pelas suas escolhas, pelos pares, pela saudável competição – a criança ou
o jovem envolve-se na sua realização, o que significa que vai aprender pela acção, percebendo a utilidade do que aprendeu [o que o motiva
para aprender mais], desenvolver as suas capacidades e descobrir habilidades e gostos que, de outro modo, provavelmente não descobriria.


Elemento estruturante do aprender fazendo é a metodologia do projecto, a qual permite às crianças e aos jovens, de uma forma
participada e em ambiente seguro, transformar sonhos e aspirações em actividades, vivências e experiências enriquecedoras, que
contribuem para o seu desenvolvimento pessoal.


Em geral, um projecto é um conjunto determinado de acções inter-relacionadas que se planeiam e implementam com vista a atingir
um objectivo último num determinado prazo. Neste contexto, um projecto escutista caracteriza-se por:


    •   ser um desafio colectivo;
    •   ter uma meta clara e um horizonte temporal;
    •   envolver quatro fases principais;

                                                                     23
•   estar baseado no uso do método escutista;
   •   incorporar uma variedade de oportunidades educativas;
   •   ter em conta interesses, talentos, capacidades e necessidades distintas;
   •   procurar que cada criança e cada jovem esteja comprometido no atingir do objectivo comum através do seu esforço pessoal.


Em face disto, o valor educativo da metodologia do projecto reside em:


   •   desenvolver a capacidade de dialogar e trabalhar em cooperação com outros;
   •   contribuir para garantir uma genuína participação dos jovens nas decisões que lhes dizem respeito e dar-lhes esse “treino”;
   •   desenvolver a responsabilidade;
   •   desenvolver o sentido de “propósito” [efeito motivador];
   •   permitir a descoberta de talentos ou a sua busca;
   •   permitir treinar competências de diversa ordem;
   •   criar hábitos de funcionamento “em projecto” [úteis para a vida contemporânea].



As designações do projecto, nas diversas Secções, são as constantes na tabela abaixo.


                       I Secção                     II Secção                      III Secção                 IV Secção
 Designação              Caçada                                                                               Caminhada
                                                     Aventura                     Empreendimento
 do Projecto


Nos Agrupamentos em que o Escutismo é vivenciado na sua vertente marítima, as designações do projecto em cada uma das Secções
tomam a forma constante da tabela abaixo.


                        I Secção                     II Secção                      III Secção                 IV Secção
  Designação             Caçada                                                                                Campanha
                                                     Expedição                        Cruzeiro
  do Projecto



A metodologia do projecto estrutura-se segundo as seguintes fases, sendo a participação nas mesmas, pelas crianças ou jovens,
função da respectiva idade e maturidade.


   • 1.ª Fase: Idealização e Escolha
       Motivação / Concepção / Apresentação / Escolha


   • 2.ª Fase: Preparação
       Enriquecimento / Organização / Planeamento


   • 3.ª Fase: Realização
       Concretização / Vivência


   • 4.ª Fase: Avaliação
       Avaliação / Celebração




                                                                  24
Sistema de Patrulhas
O Sistema de Patrulhas, tal como idealizado por Lord Baden-Powell of Gilwell, pelo qual as crianças e jovens de um grupo se organi-
zam em pequenos grupo com uma identidade e vida própria, uma liderança e organização interna, constitui um dos elementos mais
marcantes e distintivos do Escutismo enquanto pedagogia educativa.


A patrulha, ou outra denominação que o pequeno grupo assuma, é o local onde as crianças e jovens, sob a liderança de um de-
les, estabelecem relações e são chamados a assumir diversas tarefas para a promoção do bem-comum, incentivando-se, assim, a
co-responsabilidade que potencia a aprendizagem da democracia e da solidariedade, bem como a compreensão do papel do líder e
da importância de uma boa e equilibrada liderança para o desenvolvimento do grupo.



                       I Secção                     II Secção                   III Secção                   IV Secção
 Designação
 do peque-               Bando                       Patrulha                       Equipa                       Tribo
  no grupo

   Efectivo           4 a 7 Lobitos             4 a 8 Exploradores              4 a 8 Pioneiros           4 a 8 Caminheiros



   Género          Aconselha-se misto           Aconselha-se mista            Aconselha-se mista          Aconselha-se mista


  Identidade       Uma de cinco cores:           Nome de animais           Nome de Santo da igreja,    Nome de Santo da igreja,
                 branco, cinzento, preto,                                  ou um pioneiro da Huma-      ou um benemérito da
                    castanho e ruivo                                       nidade ou herói nacional.    Humanidade ou herói
                                                                                                             nacional.


  liderança          Guia de Bando               Guia de Patrulha               Guia de Equipa               Guia de Tribo

 Constituição
 da Unidade           2 a 5 Bandos                2 a 5 Patrulhas               2 a 5 Equipas            10 a 32 Caminheiros

 Designação
 do local de              Covil                        Base                         Abrigo                     Albergue
  reunião



Nos Agrupamentos em que o Escutismo é vivenciado na sua vertente marítima, as designações do pequeno grupo e do respectivo
líder, em cada uma das Secções tomam a forma constante da tabela abaixo.




                      I Secção                      II Secção                   III Secção                   IV Secção
 Designação
 do peque-               Bando                      Tripulação                   Equipagem                    Companha
  no grupo

  liderança          Guia de Bando                  Timoneiro                       Mestre                       Arrais




É o Sistema de Patrulhas que faz do Escutismo um verdadeiro esforço de cooperação, um método de educação natural e não formal,
onde cada jovem, com as suas particularidades e curiosidades muito pessoais, cresce com os outros e entre eles. Em que os pares se
reconhecem pela vivência conjunta e pela prática da Lei do Escuta.


                                                                 25
A patrulha é uma “micro-sociedade”, onde cada escuteiro desempenha um papel. Ao assumir a responsabilidade de determinadas
tarefas no seio da patrulha, o escuteiro torna-se responsável por si mesmo e... cresce!


O Sistema de Patrulhas proporciona ainda a perda da perspectiva egocêntrica, e permite às crianças e jovens a criação de hábitos de divisão
de tarefas e bens, unindo os jovens num ideal comum, repleto de camaradagem, cumplicidade e amizade.


Relacionado com o Sistema de Patrulhas, e com a forma como este se articula na Unidade permitindo a vivência do método do pro-
jecto, é o sistema de reuniões e conselhos que dão suporte a toda a vivência das patrulhas e da Unidade.


O Escutismo vive primordialmente ao ar livre, na Natureza, mas não prescinde da vivência em sede, onde cada bando, patrulha,
equipa e tribo tem o seu espaço próprio, o seu canto, onde guarda o seu material, onde cultiva e preserva a identidade e memória,
e onde reúne.


O espaço de reunião, espaço próprio e reservado do bando, patrulha, equipa ou tribo, é um momento importante do crescimento escu-
tista, e assim deve ser valorizado, pois permite impulsionar o sentido da participação em comum, baseada no diálogo e na cooperação,
da organização e planeamento, da visão crítica e avaliação, da auto-gestão com responsabilidade.


Elemento crucial da vida das Unidades é o Conselho de Guias, órgão permanente que, sob a coordenação do Chefe de Unidade, ori-
enta a vida da Unidade.


O papel do Guia é assim fundamental, não apenas na liderança e coordenação do bando, patrulha, equipa ou tribo, como também
na representação deste junto da Unidade, através do Conselho de Guias.



Sistema de Progresso
Sendo o auto-desenvolvimento de cada criança e jovem a finalidade do Escutismo, a progressão pessoal, que se concretiza nos objec-
tivos educativos constitui a métrica proposta para cada etapa etária.


O Sistema de Progresso, que procura envolver – de forma consciente – cada criança e jovem no seu próprio desenvolvimento, é a
principal ferramenta de suporte à progressão pessoal, assentando numa perspectiva personalista, considerando as características
individuais de cada um, e baseando-se num conjunto de objectivos educativos.


O Sistema de Progresso permite, pois, atingir os objectivos educativos da Secção [adquirir conhecimentos, competências
e atitudes], sendo um factor de motivação para a criança ou jovem [ser e fazer melhor], sendo, portanto, um guia no seu
percurso de desenvolvimento, oportunidade de aprofundamento de habilidades próprias e de valorização pessoal ou até
mesmo de descoberta vocacional. O Sistema de Progresso impulsiona o jovem a adquirir hábitos de análise e planeamento
da sua vida.


A Estrutura do Sistema de Progresso

A passagem das crianças e dos jovens por uma Secção é distribuída em duas grandes fases – a integração e a vivência. Durante a integração,
as crianças e os jovens realizam a sua adesão e são sujeitos a um diagnóstico inicial; durante a vivência, evoluem nas etapas de progresso.


Todas as crianças e jovens são diferentes em diversos aspectos [idade, contextos familiares e escolares, níveis de desenvolvimento, ap-
tidões e dificuldades], pelo que poderão estar em estádios de desenvolvimento pessoal diferentes, não obstante a similitude de idades.


Assim, logo ao chegar a uma Secção, a criança ou jovem é sujeito a um diagnóstico inicial, pelo qual se afere o respectivo
grau de maturidade e, em consonância, se irá definir o respectivo posicionamento, após concretizada a adesão, em termos
de etapa de progresso [ou seja, que objectivos educativos já cumpre e que equivalência será atribuída em termos de etapa
de progresso].


A responsabilidade do diagnóstico inicial é do Chefe de Unidade, o qual o deve realizar, conforme a idade e maturidade da criança ou

                                                                    26
jovem, a partir de uma conversa informal com o próprio, com os respectivos pais, com a colaboração do respectivo Guia, bem como
através da observação do aspirante ou noviço durante as primeiras actividades, podendo-se, ainda, recorrer a dinâmicas e jogos
específicos para o efeito.


Este procedimento é crucial para a posterior escolha dos trilhos [objectivos, no caso do Clã], uma vez que esta escolha deve ter em
consideração as necessidades de desenvolvimento da criança ou jovem. O aspirante ou noviço deverá ser incentivado a escolher,
anualmente, um trilho por área de desenvolvimento pessoal [dois a três objectivos por área de desenvolvimento pessoal, no caso do
Clã] onde as suas necessidades de desenvolvimento sejam mais prementes, e a concretizá-los em acções concretas.


Assim, no reconhecimento do progresso pessoal, o posicionamento do aspirante ou noviço, após a fase da adesão será:


    •   até 1 trilho de cada área de desenvolvimento alcançado – 1.ª etapa;
    •   entre 1 e 2 trilhos de cada área de desenvolvimento alcançados – 2.ª etapa;
    •   entre 2 e 3 trilhos de cada área de desenvolvimento alcançados – 3.ª etapa.


Assim, o cumprimento de uma etapa pressupõe sempre o cumprimento de, pelo menos, [mais] um trilho de cada área de desenvol-
vimento pessoal [excepto na última etapa, que termina com o cumprimento pleno de todos os trilhos].


  No caso específico dos Caminheiros, em que o progresso pessoal é aferido já pelos objectivos e não por trilhos, o posicionamento
  do aspirante ou noviço, no reconhecimento do progresso pessoal, após a fase da adesão será:


    •   menos de 2 objectivos de cada área de desenvolvimento alcançado – 1.ª etapa [Comunidade];
    •   entre 2 a 4 objectivos de cada área de desenvolvimento alcançados – 2.ª etapa [Serviço];
    •   mais de 4 objectivos de cada área de desenvolvimento alcançados – 3.ª etapa [Partida].


  Assim, o cumprimento de uma etapa pressupõe sempre o cumprimento de, pelo menos, [mais] dois objectivos de
  cada área de desenvolvimento pessoal [excepto na última etapa, que termina com o cumprimento pleno de todos
  os objectivos].


  Concomitantemente, cada Caminheiro é, desde a integração na Secção, convidado a elaborar, e a manter actuali-
  zado, o seu Projecto Pessoal de Vida – PPV.


  O Projecto Pessoal de Vida é uma ferramenta pedagógica que auxilia o Caminheiro na gestão do seu auto-desenvol-
  vimento pessoal, a qual o convida a reflectir e fazer uma análise cuidada de tudo aquilo que constitui a sua vida (a
  família, os amigos, a escola, o emprego, a relação com Deus, o namoro, a relação consigo próprio e com os outros),
  a traçar de objectivos para a sua vida (pequenas metas, projectos a longo prazo e grandes sonhos) e a assumir
  expressamente um compromisso pessoal com o caminho traçado.


  Assim, o Caminheiro deve articular a escolha dos seus objectivos educativos com a elaboração do seu Projecto
  Pessoal de Vida o Caminheiro e este deve incluir acções concretas que concretizem esses objectivos. Os objectivos
  educativos serão assim trabalhados pelos próprios Caminheiros.


  O Projecto Pessoal de Vida conterá uma parte aberta, em que o Caminheiro expressa as suas escolhas. Essa parte é
  partilhada com a tribo e com o Chefe de Clã. Será, também, com base nessa partilha que a Carta de Clã – Projecto
  Comunitário de Vida – deve ser construída. O Chefe de Clã terá assim acesso às escolhas que o Caminheiro fez para
  o poder apoiar e acompanhar no seu progresso.


  O Projecto Pessoal de Vida conterá igualmente uma parte fechada, partilhável ou não, em que o Caminheiro ex-
  pressa objectivos mais pessoais e íntimos.


Em resumo, podemos observar o funcionamento do diagnóstico inicial, em termos de posicionamento nas etapas de progresso de
cada Secção, nos esquemas abaixo.


                                                                27
Transição
                                                                                              entre Sistemas
                                                           não; é aspirante                                                            Sim
                                                                                               de Progresso
                                                                                                                                                                                  lobitos

                                                                                             [ie, já era Lobito]?
                                                                                                                                   Diagnóstico com
                                                          Idade                                                                        base no
                                                         igual à                                                                    conhecimento
                                não                                              Sim                                                  adquirido
                                                     de entrada na
                                                        secção?



          Diagnóstico formal junto dos pais.                     Sem diagnóstico inicial formal. Adesão.
        Adesão. Observação directa ao longo da
                       adesão.                                       Após adesão, entra na etapa 1




                           Aspirante




28
           não          tem 9 anos e tem       Sim
                           18 trilhos?

                                             Passa para os
     Fica na Alcateia                      Exploradores, em
                                               princípio.                                                                                 Pelo
                                                                                                                         não             menos         Sim
                                                                                                                                   1 trilho de cada
                                                                                                                                         área?


                                                                                                                      1ª Etapa                            Pelo
                                                                                                                    Lobo Valente                         menos
                                                                                                                                          não         2 trilhos de    Sim
                                                                                                                                                      cada área?
        No final da primeira etapa [caso aplicável], é
      sempre possível que se conclua que, na escolha                                                                                   2ª Etapa
      dos novos 6 trilhos, o Lobito já os concluiu e que                                                                                                               3ª Etapa
                                                                                                                                     Lobo Cortês                     Lobo Amigo
       por isso deverá transitar para a terceira etapa.
Transição
                                                                                                         entre Sistemas
                                                           não; é aspirante ou noviço                     de Progresso                              Sim
                                                                                                       [ie, já era Explorador]?

                                                                                                                                              Diagnóstico com base
                                                                                                                                                no conhecimento
                                                                                                                                                                                                    Exploradores




                                                       Idade é                                                                               adquirido e com partici-
                             não                                                        Sim
                                                     superior a 10                                                                            pação do Explorador
                                                        anos?


      Diagnóstico inicial mais formal com os pais,                     Diagnóstico em conjunto com o aspirante e
        observação informal e dinâmicas com o                        observação informal com dinâmicas específicas.
                   noviço/ aspirante.
       Noviços: pode haver uma conversa entre                                       Adesão [Apelo].
     chefes de unidade para “passar testemunho”.
       Adesão (Apelo). Algum trilho alcançado é
                 avaliado mais tarde.
     Primeiro grupo de trilhos não deve repetir os
         últimos trilhos atingidos nos lobitos.




29
                                                                                       Aspirante
                                                                        não        tem 13 anos e tem      Sim
                                                                                      18 trilhos?

                                                                 Fica nos                              Passa para os
                                                               Exploradores                              Pioneiros


                                                                                                                                                       Pelo
                                                                                                                                     não              menos             Sim
                                                                                                                                                1 trilho de cada
                                                                                                                                                      área?


                                                                                                                                  1ª Etapa                                Pelo
                                                                                                                                  Aliança                                menos
                                                                                                                                                        não                             Sim
                                                                                                                                                                   2 trilhos de cada
                                                                                                                                                                         área?
       No final da primeira etapa (caso aplicável), é
     sempre possível que se conclua que, na escolha
      dos novos 6 trilhos, o Explorador já os concluiu                                                                                             2ª Etapa                             3ª Etapa
       e que por isso deverá transitar para a terceira                                                                                              Rumo                               Descoberta
                           etapa.
Transição
                                                                                                           entre Sistemas de
                                                               não; é aspirante ou noviço                      Progresso                                Sim
                                                                                                            [ie, já era Pioneiro]?
                                                                                                                                                                                                         Pioneiros


                                                                                                                                                  Diagnóstico com base
                                                                                                                                                    no conhecimento
                                                             Idade
                              não                                                          Sim                                                   adquirido e com partici-
                                                          é superior
                                                                                                                                                   pação do Pioneiro.
                                                          a 14 anos?
                                                                                                                                                    Ele é incentivado a
                                                                                                                                                 concretizar com acções
     Diagnóstico inicial mais formal com observação                    Diagnóstico com base no conhecimento adqui-                                práticas os objectivos
      informal e dinâmicas com o noviço/aspirante.                          rido e com participação do Pioneiro.                                   que se incluem nos
     Noviços: pode haver uma conversa entre chefes                                                                                                trilhos seleccionados.
                                                                                 Adesão (Desprendimento).
         de unidade para “passar testemunho”.
                                                                          Ele é incentivado a concretizar com acções
               Adesão (Desprendimento).                                práticas os objectivos que se incluem nos trilhos
                                                                                         seleccionados.
        Ele é incentivado a concretizar com acções
     práticas os objectivos que se incluem nos trilhos
                       seleccionados.
      Algum trilho alcançado é avaliado mais tarde.
      Primeiro grupo de trilhos não deve repetir os
       últimos trilhos atingidos nos exploradores.




30
                                                                                          Aspirante
                                                                           não        tem 17 anos e tem         Sim
                                                                                         18 trilhos?


                                                                Fica nos Pioneiros                         Passa para os
                                                                                                           Caminheiros
                                                                                                                                                            Pelo
                                                                                                                                           não             menos            Sim
                                                                                                                                                     1 trilho de cada
                                                                                                                                                           área?


                                                                                                                                       1ª Etapa                                Pelo
                                                                                                                                     Conhecimento                             menos
                                                                                                                                                              não                            Sim
                                                                                                                                                                        2 trilhos de cada
       No final da primeira etapa, é sempre possível                                                                                                                          área?
        que se conclua que, na escolha dos novos 6
      trilhos, o Pioneiro já os concluiu e que por isso
           deverá transitar para a terceira etapa.                                                                                                      2ª Etapa                             3ª Etapa
                                                                                                                                                        Vontade                             Construção
Transição
                                                                                                       entre Sistemas
                                                            não; é aspirante ou noviço                  de Progresso                                Sim
                                                                                                     [ie, já é Caminheiro]?



                                                           Idade
                                                                                                                                                                                                            Caminheiros




                             não                        é superior                     Sim
                                                        a 18 anos?


       Diagnóstico inicial formal do noviço/aspirante                Diagnóstico inicial formal do aspirante com                Diagnóstico com base no conhecimento adqui-
      com apoio do chefe de clã e de um caminheiro                   apoio do Chefe de Clã e de um Caminheiro                      rido e com participação do Caminheiro.
      mais experiente por ele escolhido, com recurso                   mais experiente por ele escolhido, com
                 a dinâmicas específicas.                                 recurso a dinâmicas específicas.                      Ele é incentivado a incluir no seu PPV as acções
                                                                                                                                 concretas para atingir os objectivos que esco-
     Noviços: pode haver uma conversa entre chefes                              Adesão (Caminho).                                 lhe, apoiando-se do seu Chefe de Clã, e que
         de unidade para “passar testemunho”.
                                                                                                                                               apresenta ao Clã.
                    Adesão (Caminho).                                 Ele é incentivado a incluir no seu PPV as
                                                                     acções concretas para atingir os objectivos                   PPV tem uma parte aberta e uma parte
         Algum objectivo dado como alcançado é                       que escolhe, apoiando-se do seu Chefe de                                  reservada.
                        fechado.                                             Clã, e que apresenta ao Clã.
      Escolha é baseada em objectivos (2 a 3 de cada
         área) e não necessariamente em trilhos.
       Noviço/aspirante é incentivado a concretizar




31
        os objectivos que vão ser trabalhados com
      acções práticas (oportunidades), que insere no
                         seu PPV.                                                                                                                    Pelo
          PPV tem uma parte aberta e uma parte                                                                                     não             menos 2             Sim
                      reservada.                                                                                                                 objectivos de
                                                                                                                                                  cada área?


                                                                                                                                1ª Etapa
                                                                                                                              Comunidade                             Pelo menos
                                                                                                                                                       não          4 objectivos de        Sim
                                                                                                                                                                      cada área?

                                                                                                                                                                                            3ª Etapa
                                                                                                                                                   2ª Etapa                                  Partida
                                                                                                                                                   Serviço                               Nesta última
                                                                                                                                                                                      etapa, o caminhei-
                                                                                                                                                                                       ro continua a sua
                                                                                                                                                                                      progressão e inicia
                                                                                                                                                                                          ao desafio.
       No final da primeira etapa (caso aplicável), é
     sempre possível que se conclua que, na escolha
     dos novos 12-18 objectivos, o Caminheiro já os
      concluiu e que por isso deverá transitar para a
                      terceira etapa.
A adesão, que antecede e é concomitante com o diagnóstico inicial, regista-se em dois momentos distintos – a adesão informal e a adesão formal.


A adesão informal, inexistente na Alcateia, inicia-se no princípio do último trimestre da vivência escutista na Unidade precedente. Neste período, a
criança ou jovem continua a pertencer e a viver em pleno as dinâmicas da sua Unidade. Porém, para que se vá familiarizando, de forma informal,
com a Secção seguinte, vai sendo convidado a conhecer a respectiva sala, Equipa de Animação e elementos, modo de funcionamento, uma peque-
na actividade; num esquema participado e protagonizado, sobretudo, pelos Guias da Secção que os irá receber.


Com a passagem de Secção, no início do ano escutista, tem então início a adesão formal, recebendo o aspirante ou noviço, de ime-
diato, a respectiva insígnia de adesão.


O objectivo da adesão formal é o de valorizar a tomada de consciência individual do aspirante ou noviço sobre o funcionamento da Unidade,
a vivência quotidiana das actividades típicas, a mística e a simbologia, bem como os compromissos que se esperam na nova Secção.


É com base nessa tomada de consciência individual que cada aspirante ou noviço toma, por si, a decisão de se propor a aderir à Sec-
ção, o que se concretizará com o acto da sua Promessa.


A decisão de adesão dos aspirantes e noviços é tomada nos Conselhos de Guias, sendo posteriormente validada nos Conselhos de
Unidade.


A Promessa, momento marcante da vida de cada Escuteiro e acto que concretiza a adesão de cada criança ou jovem a mais uma etapa
do seu desenvolvimento pessoal deve ocorrer no prazo de dois meses.


Celebrada a Promessa, a criança ou jovem entra na fase da vivência da Secção. A proposta de progresso assenta na aquisição de co-
nhecimentos, competências e atitudes, com base nas três vertentes do saber – o saber-saber, o saber-fazer e o saber-ser.


Pretende-se que a dinâmica de progresso vá de encontro aos objectivos definidos para os trilhos, no quadro das áreas de desen-
volvimento pessoal. Assim, progredir significará atingir objectivos, ao invés de aumentar o nível de proficiência em conhecimentos,
competências e atitudes já anteriormente obtidos.


                          I Secção                        II Secção                        III Secção                      IV Secção

   Adesão                 Pata-Tenra                         Apelo                      Desprendimento                        Caminho


   1.ª Etapa             Lobo Valente                       Aliança                       Conhecimento                      Comunidade


  2.ª Etapa              Lobo Cortês                        Rumo                             Vontade                           Serviço


   3.ª Etapa             Lobo Amigo                       Descoberta                        Construção                         Partida


Existindo seis áreas de desenvolvimento pessoal, em cada uma três trilhos educativos e, nestes um ou mais objectivos educati-
vos, cada criança ou jovem é chamado a construir a sua etapa de progresso anual, seleccionando um trilho de cada uma das di-
ferentes áreas de desenvolvimento pessoal [pelo menos dois objectivos por área de desenvolvimento pessoal, no caso do Clã].

A escolha compete inteiramente à criança ou jovem, o qual contará com o apoio e colaboração do seu Guia e Equipa de Animação no
diagnóstico dos conhecimentos, competências e atitudes já detidos, na selecção dos trilhos educativos [objectivos, no caso do Clã]
que irão constituir as suas etapas e na observação da evolução dos conhecimentos, competências e atitudes que são quotidianamen-
te vividos no seio da Unidade e que contribuem para validar os objectivos educativos como atingidos.

O progresso concretiza-se quer através das oportunidades educativas que a vivência escutista oferece, quer através de ou-
tras oportunidades experienciadas no seio da família ou da comunidade, ou seja, tudo o que as crianças e os jovens fazem
dentro e fora das actividades escutistas ajuda-os a alcançar os objectivos educativos da Secção; portanto, a crescer nas seis
áreas de desenvolvimento pessoal.

                                                                        32
Os objectivos educativos que se apresentam às crianças e aos jovens não são mais do que propostas ou desafios que podem ser
alcançados de forma atractiva e divertida, no seio de um grupo de pares, propostas que permitem que cada criança e jovem viva
experiências enriquecedoras, experiências que levam ao desenvolvimento pessoal.


Um tipo específico de oportunidades educativas, acessível ao elemento mal inicie a fase da vivência, são as propostas temáticas de
especialização e evidenciação de competências particulares que – para cada Secção – são definidas e facultadas às crianças e jovens,
e cujo cumprimento e aplicação na vida quotidiana potenciam o crescimento em determinadas áreas de desenvolvimento e trilhos.


Muitos conhecimentos, competências e atitudes podem ainda ser adquiridos, pelas crianças e jovens, na sua vivência escolar, ca-
tequética, modalidades desportivas que pratiquem ou associações a que pertençam. Cumpre ao Chefe de Unidade verificar esses
conhecimentos, competências e atitudes, sem que se exija a sua aquisição em actividade escutista.


As oportunidades educativas – sejam actividades que se vivam, cargos ou funções que se exerçam, responsabilidades que se assu-
mam, etc. – contribuem, assim, para o alcance dos objectivos educativos de uma forma indirecta e progressiva.


Não existe uma relação directa entre a realização de uma oportunidade educativa e o cumprimento de um objectivo educativo. É
mediante a avaliação do desenvolvimento da criança ou jovem – e não da realização ou não da oportunidade educativa – que o cum-
primento de cada objectivo educativo é aferido.


A avaliação dos conhecimentos, competências e atitudes adquiridos e a validação de objectivos educativos concluídos devem ser
feitas de forma contínua, ao longo da vivência escutista da criança ou do jovem. O reconhecimento desses objectivos e a consequente
atribuição de trilhos educativos ou de etapas de progresso concluídas deve ser feito na fase da celebração das actividades típicas,
devendo envolver o elemento, o seu bando, patrulha, equipa ou tribo, o Conselho de Guias, e a Equipa de Animação.


Nesta vertente reforça-se o papel e a importância dos pares, ou seja, o papel dos Guias e do Conselho de Guias no acompanhamento
e na avaliação do progresso pessoal dos seus elementos, de uma forma muito simples e orientada.


O Conselho de Guias, será o espaço privilegiado para a tomada de decisões relacionadas com o progresso dos elementos – escolhas
de percurso, avaliação e reconhecimento de progresso, abordagem que implicará, naturalmente, o acompanhamento por parte da
Equipa de Animação, ajudando na formação de opiniões e na tomada de decisões em conjunto.



  O Caminheiro que estiver na Etapa Partida, o seu último ano de Clã, é incentivado a comprometer-se com uma causa pessoal – o
  Desafio, que envolva uma acção mais continuada no tempo [mínimo de 3 meses e privilegie um esforço de cooperação ou de
  voluntariado com uma instituição ou organização escolhida pelo Caminheiro.


  Esta acção, que deve ser apresentada e partilhada no Clã e da qual o Caminheiro deve ir dando testemunho da sua experiência,
  constitui uma excelente oportunidade para o Caminheiro concluir o seu progresso pessoal, no intuito de receber a Partida.



Quando uma criança ou jovem terminar a sua última etapa, ou seja, completar todos os objectivos educativos definidos para a
respectiva Secção, irá receber uma anilha de mérito específica para uso no uniforme, de forma a ser reconhecido que completou a
totalidade do percurso educativo que lhe foi proposto.



  Quando um Caminheiro termina o seu progresso pessoal, cumprindo a totalidade dos objectivos educativos finais, receberá a
  Partida, sinal de que o seu processo educativo terminou e está, assim, preparado para a vida. A Partida de um Caminheiro é auto-
  proposta quando este se sente preparado, tendo, no entanto, que ser aprovada em Conselho de Clã.




                                                                33
Relação Educativa
Não obstante o papel primordial da relação entre pares como base da pedagogia educativa escutista, a presença do adulto –
e, portanto, a relação educativa que se estabelece entre ele e a criança ou jovem – constitui elemento essencial do método
escutista.


No Escutismo, o adulto é o garante da educação integral das crianças e jovens da sua Unidade, sendo a sua intervenção, por
princípio, subsidiária; ou seja, a acção pedagógica – para além de voltada para a criança ou jovem – deve estar centrada na
própria criança ou jovem, chamado a ser, pela vivência do jogo escutista’, protagonista do seu auto-desenvolvimento.


O adulto, na medida da idade e maturidade dos jovens, é chamado a recuar na intervenção, competindo-lhe, no entanto,
sempre assegurar a existência de um ambiente seguro e propício a uma aprendizagem do tipo aprender-fazendo, bem como
da conformidade da vida da Unidade com os ideais e valores com que o Escutismo se identifica e se propõe promover.




                                      EnVOlVIMEnTO DO ADUlTO




                                         AUTOnOMIA DO JOVEM

                 lOBITOS               EXPlORADORES                PIOnEIROS               CAMInHEIROS


A finalidade do Escutismo é que a criança ou jovem se desenvolva em autonomia, logo o papel do adulto não pode ser se-
não o da promoção dessa autonomia, sendo que esta relação entre a autonomia da criança ou jovem e o envolvimento, ou
a intervenção, do adulto deve perspectivar-se de uma forma dinâmica, progressivamente decrescente e qualitativamente
diferenciada, ao longo do percurso educativo da criança ou jovem através das Secções.


Dependendo da Secção, há maior ou menor necessidade de “espaço”, mais ou menos graus de liberdade, formas diferentes
de companheirismo e de partilha de cumplicidades. Mas em todas as Secções é fundamental a permanência e a sensação de
presença do adulto, que transmite segurança, que “está lá” sempre que for preciso e para o que for preciso, que está com as
crianças ou jovens e com eles caminha nos bons [incentivando] e nos maus [orientando] momentos.


No Escutismo, cumpre ao adulto saber misturar-se com as crianças e os jovens, sem nunca se deixar confundir com os mes-
mos, equilíbrio que é a chave de ouro da relação educativa escutista entre as crianças e jovens e os adultos.


Por outro lado, ao adulto cumpre garantir que em todas as iniciativas e actividades são cumpridas as normas de segurança
legais ou em vigor na Associação, bem como excluídos comportamentos e opções que acarretam riscos irrazoáveis e/ou não
devidamente acautelados.


Em conclusão, o papel do adulto na relação educativa escutista é o de garante da presença e regular funcionamento dos de-
mais elementos constituintes do método escutista, o garante de enquadramento e ambiente para o jogo escutista.




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ACTIVIDADES
ACTIVIDADES ESCUTISTAS
As actividades desenvolvidas e participadas pelas crianças e jovens, às quais directamente se associam algumas das compo-
nentes mais marcantes do Escutismo – acção, aventura, desafio, criatividade, contacto com a natureza, etc. – constituem a
parte mais visível do Programa Educativo. É através das actividades que se constrói, em boa parte, a percepção da sociedade
sobre o que é o Escutismo e são as actividades o que mais – e de facto – atrai as crianças e os jovens ao Escutismo.


Num Programa Educativo baseado em objectivos educativos, onde cada criança e jovem é desafiado a alcançar níveis pré-
definidos, todas as acções levadas a cabo, seja no âmbito do Escutismo ou fora dele, são meios para alcançar esses mesmos
objectivos educativos. O Escutismo propõe e realiza actividades como forma de criar e proporcionar oportunidades educati-
vas que, em última análise, contribuam para que as crianças ou jovens alcancem os objectivos educativos estabelecidos, ou
seja, para o respectivo desenvolvimento integral.


Assim, constituem oportunidades educativas, todas as oportunidades para que cada criança ou jovem possa desenvolver-
se nas seis áreas de desenvolvimento pessoal, e que contribuem para ir alcançando os objectivos educativos adoptados,
sejam actividades, sejam propostas de desenvolvimento de competência específicas, seja a assumpção de cargos, funções e
responsabilidades ao nível do bando, patrulha ou equipa. No entanto, a realização ou participação em actividades não leva
automaticamente ao cumprimento de qualquer objectivo, contribui sim para proporcionar conhecimentos, desenvolver com-
petências ou despertar atitudes que, de forma gradual e cumulativa, permitem alcançar um ou mais objectivos educativos.


A realização de actividades relaciona-se, por outro lado, com uma componente importante do método escutista – o aprender
fazendo – enquanto método activo que valoriza a experiência individual para a aquisição de conhecimentos, competências e
atitudes. No Escutismo, as crianças e os jovens aprendem fazendo. A aprendizagem pela acção permite uma aprendizagem por
descobertas, fazendo com que os conhecimentos, competências e atitudes e se interiorizem de forma natural – experiência.


Actividades e experiência são, assim, dois conceitos intimamente interligados, embora claramente distintos. Sendo as acti-
vidades o meio privilegiado para alcançar a aprendizagem, as crianças e os jovens aprendem através das experiências que
vivem nas actividades.


                         Actividade                                                    Experiência

    •   É a acção que se desenvolve entre todos                    •   É o que se passa e é apreendido por cada pessoa
    •   É um instrumento que gera diferentes situações             •   É o que se obtém da acção desenvolvida
                                                                   •   É o resultado que se produz no jovem ao enfrentar di-
                                                                       ferentes situações




        Actividades/
                                                         Experiência                               Objectivos Educativos
 Oportunidades Educativas
                                proporcionam                                   permite alcançar




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Neste sentido, as experiências são pessoais e expressam uma relação pessoal entre cada criança ou jovem e a realidade. Uma
única actividade pode gerar diferentes experiências nas crianças e jovens que nela participam, dependendo de uma varieda-
de de circunstâncias, designadamente a individualidade de cada um enquanto pessoa. Sendo a actividade e as oportunidades
educativas nela intrínsecas comuns ao grupo, a garantia de aprendizagens individuais concretiza-se pelo estímulo a cada
criança ou jovem a reflectir sobre o vivenciado, a relacionar com o seu quotidiano e a interiorizar as experiências pessoais
vividas, de modo que estas possam de futuro influenciar novos comportamentos. Reforça-se assim a importância do processo
de avaliação e da percepção individual de crescimento, adaptado claro a cada escalão etário.




                                           Uma actividade é avaliada...

        por observação                                                                                  para determinar até que
                                                                                                       ponto os objectivos foram
                                                                                                                alcançados

                               durante a actividade e no           por todos aqueles que nela
                                    final da mesma                           participam




Actividades Internas e Externas
Porque os objectivos educativos abrangem a totalidade da vida das crianças e dos jovens, existem assim actividades internas e externas.


Actividades internas são aquelas que constituem o programa de actividades escutistas, tenham lugar nos bandos, patrulhas, equipas,
ou tribos na Unidade ou para além dela.


Actividades externas são aquelas em que as crianças e os jovens participam particularmente, por motivos pessoais, familiares, esco-
lares ou outros.


Ambos os tipos de actividades constituem oportunidades educativas relevantes e a ser devidamente consideradas aquando da avalia-
ção do desenvolvimento pessoal de cada criança ou jovem.




Actividades Fixas e Variáveis
Actividades fixas são as vividas quotidianamente, ou semanalmente, e apresentam habitualmente uma forma simples, rela-
cionando-se com o mesmo assunto e realizando-se de forma contínua. São, regra geral, associadas à criação e manutenção
do ambiente escutista e à gestão das suas estruturas, de modo a criar a atmosfera correcta para a aplicação do método es-
cutista. Ao assegurar a participação dos jovens, a tomada de decisões colectiva e a presença tangível de valores, contribuem
para a concretização de objectivos educativos através de momentos tipicamente escutistas – reuniões de patrulha, jogos,
vida em campo, fogos de conselho, etc..


Actividades variáveis são as vividas esporadicamente, ou mesmo uma única vez, podendo apresentar formas variadas e
referir-se a assuntos diversificados, em função dos interesses das crianças e dos jovens. A respectiva repetição, caso dese-
jada, ocorre num futuro espaçado e sem qualquer carácter cíclico. Contribuindo para o alcance claro e específico de um ou
mais objectivos educativos, asseguram que o programa corresponde aos interesses e preocupações das crianças e jovens,
projectando-os na diversidade do mundo.

                                                                  36
O programa de actividades precisa de ser equilibrado entre estes dois tipos, para que não se caia em situações extremas;
nem se tenha um programa assente sobretudo em actividades fixas [o qual se traduz num fechamento e auto-centramento
da Unidade, que pode não estará contribuir para o desenvolvimento harmonioso das crianças, para além dos riscos de obso-
lescência], nem, se tenha um programa assente sobretudo em actividades variáveis [em que assoma o risco de descaracteri-
zação da Unidade, afectando a totalidade da atmosfera educativa, pois a realização de actividades pode tornar-se um fim em
si mesmo e não um meio para o desenvolvimento pessoal].


As actividades variáveis devem ser:
    • Desafiantes [devem envolver um desafio proporcional às capacidades dos jovens];
    • Úteis [devem ter como finalidade proporcionar experiências que levem a uma aprendizagem efectiva];
    • Gratificantes [os jovens devem sentir que irão alcançar qualquer coisa ou satisfazer algum tipo de desejo];
    • Atractivas [devem despertar o interesse e entusiasmo dos jovens].


A abrangência temática das actividades variáveis, que normalmente se realizam articuladamente, é tão ampla quanto o
universo e imaginativa a humanidade, envolvendo – entre outros – os seguintes temas: técnicas manuais e competências,
conhecimento e protecção da Natureza, direitos humanos e democracia, educação para a paz e desenvolvimento, desporto
e aventura, expressões artísticas, serviço comunitário, interculturalidade.




                                                                                                                         Foto: Maria Helena Guerra




O presente documento constitui o Programa Educativo do Corpo Nacional de Escutas, ao qual se associam os Documentos
de Política Pedagógica aprovados pela Junta Central ou pelos Conselhos Nacionais, que se encontra desenvolvido e explicado
nos Projectos Educativos das Secções, constantes do Manual do Dirigente.




                                                              37

Programa educativo -_versão_final_23_fev

  • 1.
  • 2.
    Texto aprovado noConselho Nacional de Representantes, reunido em Fátima, no dia 21 de Novembro de 2009. – Entrada em vigor no início do ano escutista 2010-2011 – – A ser avaliado quanto à aplicação, adequação e actualidade em 2014 e em 2018 – Este documento resulta do Processo de Renovação da Acção Pedagógica – RAP, levado a cabo no Corpo Nacional de Escutas de 2001 a 2009. Este processo contou com a contribuição de centenas de Dirigentes, das estruturas locais, regionais e nacional, ao longo dos oito anos que durou, em diversos tipos de sessões e eventos. No ano escutista 2008-2009, a proposta então existente foi experimentada numa fase piloto que envolveu 92 Agrupamentos de 19 Regiões. A todos aqueles que contribuíram activamente para a presente formulação do Programa Educativo do Corpo Nacio- nal de Escutas, uma palavra de particular apreço e reconhecimento. Deus quer, o homem sonha, a obra nasce. Fernando Pessoa, in Mensagem
  • 3.
    PROGRAMA EDUCATIVO DO CORPO nACIOnAl DE ESCUTAS O Corpo Nacional de Escutas é uma associação de educação não-formal, cuja finalidade é a educação integral de crianças e jovens de ambos os géneros, com base em voluntariado adulto, em conformidade com as finalidades, princípios e métodos concebidos pelo Fundador do Escutismo – Lord Baden-Powell of Gilwell – e vigentes na Organização Mundial do Movimento Escutista, e à luz do Evan- gelho de Jesus Cristo, segundo a doutrina da Igreja Católica Romana, que professa, assume e difunde. O Programa Educativo do Corpo Nacional de Escutas é a totalidade daquilo que as crianças e os jovens fazem no Escutismo Católico Português [as actividades], como o fazem [o método] e a razão porque o fazem [a finalidade]. FInAlIDADE PROPOSTA EDUCATIVA DO CnE A Proposta Educativa do Corpo Nacional de Escutas constitui a declaração das finalidades últimas da Associação, expressando a sua intenção educativa, com base na análise das necessidades e aspirações dos jovens num determinado tempo e num contexto sócio-cultural específico. Neste âmbito, a intenção educativa do Corpo Nacional de Escutas, adequada ao tempo e à sociedade portuguesa presentes, está expressa na Proposta Educativa “Educamos. Para quê?”. 1
  • 4.
    EDUCAMOS. PARA QUÊ? UmaProposta Educativa do Corpo Nacional de Escutas O CnE ajuda jovens a crescer …a procurar a sua própria Felicidade e a contribuir decisivamente para a dos outros. …a descobrir e viver segundo os Valores do Homem Novo. O CnE procura, através do Método Escutista, ajudar cada jovem a educar-se… ...para se tornar consciente do Ser; • uma pessoa responsável, autónoma e perseverante; justa, leal e honesta • uma pessoa criativa e ousada face aos desafios e que cultiva o espírito crítico de modo a distinguir o essencial • uma pessoa alegre, sensível e compreensiva, consciente de si própria, das suas limitações e potencialidades • uma pessoa solidária e fraterna, que promove o respeito e a tolerância na sua relação com os outros • uma pessoa que assume integralmente o seu compromisso cristão como opção de vida • uma pessoa que respeita o seu corpo como manifestação de vida e com ele se relaciona de forma equilibrada ...para se tornar detentor de Saber; • uma pessoa que reconhece as suas imperfeições e as procura superar de uma forma constante • uma pessoa que busca sempre mais e usa esses conhecimentos para fundamentar as suas decisões, expressando ade- quadamente as suas ideias • uma pessoa que valoriza as sua emoções e afectos, vivendo-os em equilíbrio • uma pessoa atenta ao Mundo, no qual identifica o seu papel, valorizando o trabalho em equipa • uma pessoa que procura aprofundar sempre o seu esclarecimento na Fé • uma pessoa que conhece as capacidades e limites do seu corpo, reconhecendo as ameaças ao mesmo ...para se tornar preparado para Agir; • uma pessoa que, comprometendo-se, age de acordo com as suas opções, respeitando os outros e o mundo • uma pessoa empreendedora, activa no desenvolvimento de iniciativas e que cuida da sua própria formação • uma pessoa que cultiva amizades e que vive o amor de uma forma plena, dando disso testemunho em família • uma pessoa que assume o seu papel na comunidade, exercendo a cidadania de uma forma participativa e generosa • uma pessoa que evangeliza pelo testemunho e pela partilha, no respeito pelas convicções dos outros, contribuindo assim para a construção da paz • uma pessoa que, reconhecendo o seu corpo como meio para transformar o Mundo, cuida dele em harmonia com o ambiente O CnE ajuda jovens a crescer... ...para que com o Ser, Saber e Agir se tornem homens e mulheres responsáveis e membros activos de comunidades, na construção de um mundo melhor. 2
  • 5.
    PROJECTO EDUCATIVO DOCnE O Projecto Educativo do Corpo Nacional de Escutas é o conjunto de objectivos e métodos, traduzidos em oportunidades, que con- tribuem para a construção de um percurso de desenvolvimento pessoal das crianças e jovens, sendo simultaneamente uno e plural. Uno, pois suporta uma pedagogia educativa para as crianças e os jovens dos 6 aos 22 anos, consubstanciando o método escutista criado por Lord Baden-Powell of Gilwell; plural, porque composto por quatro projectos sequencialmente complementares, que são os Projectos Educativos de cada Secção. Foto: Maria Helena Guerra PERSPECTIVA EDUCATIVA O Corpo Nacional de Escutas, na sua abordagem educativa, considera o desenvolvimento de todos os aspectos da personalidade das crianças e dos jovens, perspectivando-os – na sequência do processo internacional de Renovação da Acção Pedagógica, observadas as intenções do Fundador para o Movimento Escutista e englobando todas as dimensões da personalidade humana – em seis áreas de desenvolvimento pessoal, conforme abaixo. Desenvolvimento afectivo os sentimentos e as emoções Desenvolvimento social a integração social Desenvolvimento intelectual a inteligência Desenvolvimento físico o corpo Desenvolvimento do carácter a atitude Desenvolvimento espiritual o sentido de Deus Em cada uma das áreas de desenvolvimento pessoal estão identificadas prioridades educacionais – três trilhos educativos – que to- mam em consideração as necessidades e aspirações das crianças e dos jovens em particular – os objectivos educativos. Entende-se por trilho educativo cada eixo de crescimento a explorar em cada área de desenvolvimento pessoal, no âmbito dos quais se definem os objectivos de desenvolvimento pessoal. 3
  • 6.
    Áreas Trilhos Os objectivos de cada trilho relacionam-se com Relacionamento auto-expressão; intereducação; valorização dos laços e sensibilidade familiares; opção de vida; sentido do belo e do estético Área de Desenvolvimento Equilíbrio saber lidar com as emoções “controlar/exprimir”; manter emocional um estado interior de liberdade; maturidade Afectivo Auto-estima conhecer-se; aceitar-se; valorizar-se Exercer activa- direitos e deveres; tolerância social; intervenção social mente cidadania Área de Desenvolvimento Solidariedade e serviço; interajuda; tolerância tolerância Social Interacção e assertividade; espírito de equipa; assumir o seu papel nos cooperação grupos de pertença Procura do desejo do saber; procura e selecção de informação; iniciativa; conhecimento auto-formação Área de capacidade de análise e síntese; utilização de novas técnicas e Desenvolvimento Resolução de métodos; selecção de estratégias de resolução; análise crítica da problemas Intelectual solução encontrada; capacidade de adaptação a novas situações Criatividade e apresentação lógica de ideias; criatividade; discurso Expressão adequado rentabilizar e desenvolver as suas capacidades, destreza Desempenho física; conhecer os seus limites Área de conhecimento e aceitação do seu corpo e do seu processo Desenvolvimento Auto-conhecimento de maturação Físico manutenção e promoção: exercício; higiene; nutrição; evitar Bem-estar físico comportamentos de risco tornar-se independente; capacidade de optar; construir o seu Autonomia quadro de referências Área de ser consequente; perseverança e empenho; levar a bom Desenvolvimento do Responsabilidade termo um projecto assumido Carácter viver de acordo com o seu sistema de valores; defender as Coerência suas ideias disponibilidade interior; interiorização progressiva; busca do Descoberta transcendente no específico cristão Área de dar testemunho pelos actos do dia-a-dia; viver em comuni- Desenvolvimento Aprofundamento dade; estar aberto ao diálogo inter-religioso Espiritual integração e participação activa na Igreja; participar na Serviço construção de um mundo novo; evangelização 4
  • 7.
    OBJECTIVOS EDUCATIVOS As necessidadese aspirações das crianças e dos jovens, em cada uma das seis áreas de desenvolvimento pessoal, por um lado, e a ca- pacidades [conhecimentos, competências e atitudes] por estes adquiridas nessas mesmas áreas, constituem os objectivos educativos, que se organizam em trilhos educativos. Existem objectivos educativos finais, que são os objectivos a serem atingidos, em cada área, no final do percurso educativo, e existem objectivos educativos de secção, que constituem metas intermédias a serem cumpridas aquando da transição de uma Secção para a subsequente. Assim, para cada área de desenvolvimento pessoal, e dentro destas para cada trilho educativo, foram definidos objectivos educativos finais e, subsequentemente, objectivos educativos de secção, os quais se descrevem de seguida. Foto: Gonçalo Vieira 5
  • 8.
    Desenvolvimento Afectivo Dimensão dapersonalidade: os sentimentos e as emoções Trilhos Educativos: • Relacionamento e sensibilidade [auto-expressão; intereducação; valorização dos laços familiares; opção de vida; sentido do belo e do estético] • Equilíbrio emocional [saber lidar com as emoções “controlar/exprimir”; manter um estado interior de liberdade; maturidade] • Auto-estima [conhecer-se; aceitar-se; valorizar-se] Foto: Maria Helena Guerra Trilho Educativo Relacionamento e sensibilidade [auto-expressão; intereducação; valorização dos laços familiares; opção de vida; sentido do belo e do estético] I Secção II Secção III Secção Objectivo Educativo Final I-A1. Escolho as minhas II-A1. Comprometo-me com III-A1. Valorizo as minhas F-A1. Valorizar e demons- amizades e dou-me bem com o bem-estar e crescimento relações afectivas e demons- trar sensibilidade nas suas todos. do grupo, mantendo uma re- tro equilíbrio na gestão de relações afectivas, de modo lação amigável com os outros conflitos. consequente com a opção de elementos. vida assumida. I-A2.Escuto e respeito os II-A2. Valorizo a minha famí- III-A2. Comprometo-me mais velhos, tendo os pais lia e assumo o meu papel no com o bem-estar da minha como exemplo. seio da mesma. família. I-A3. Distingo aquilo que II-A3. Expresso interesse III-A3. Reconheço que exis- F-A2. Respeitar a existência de gosto e não gosto e consigo e espírito crítico por uma tem diversas sensibilidades várias sensibilidades estéticas falar sobre isso. forma de arte. estéticas e partilho os meus e artísticas, formando a sua gostos. opinião com sentido crítico. I-A4. Sei que meninos e II-A4. Aceito as diferentes III-A4. Encaro com naturalidade F-A3. Assumir a própria sexuali- meninas se comportam de formas de demonstrar sen- a minha sexualidade e procuro dade aceitando a complemen- maneira diferente e respeito timentos, nos rapazes e nas integrá-la harmoniosamente taridade Homem / Mulher isso. raparigas. na minha vida, respeitando-me e vivê-la como expressão a mim e aos outros. responsável de amor. 6
  • 9.
    Trilho Educativo Equilíbrio emocional [saber lidar com as emoções “controlar/exprimir”; man- ter um estado interior de liberdade; maturidade] I Secção II Secção III Secção Objectivo Educativo Final I-A5. Sou capaz de falar II-A5. Reconheço e exprimo III-A5. Ajo de forma pondera- F-A4. Ser capaz de identificar, daquilo que sinto. as minhas emoções com da e reflectida, respeitando compreender e expressar naturalidade e sem magoar os sentimentos dos outros. as suas emoções, tendo em os outros. conta o contexto e os senti- mentos dos outros. III-A6. Reconheço quando me excedo e esforço-me por cor- rigir o meu comportamento. Trilho Educativo Auto-estima [conhecer-se; aceitar-se; valorizar-se] I Secção II Secção III Secção Objectivo Educativo Final I-A6. Sei quais são as minhas II-A6. Assumo as minhas III-A7. Reconheço as carac- F-A5. Reconhecer e aceitar qualidades e os meus de- qualidades e defeitos. terísticas da minha persona- as características da sua per- feitos. lidade. sonalidade, mantendo uma atitude de aperfeiçoamento constante. I-A7. Esforço-me por ser II-A7. Reconheço os meus III-A8. Reconheço que erro e melhor. erros e procuro corrigi-los. comprometo-me a melhorar as minhas características menos positivas. I-A8. Esforço-me por fazer II-A8. Empenho-me em III-A9. Aceito as minhas F-A6. Valorizar as próprias ca- tudo, mesmo quando tenho ultrapassar as minhas dificul- próprias limitações, esforçan- pacidades, superando limita- medo ou acho que não sou dades e melhorar tudo o que do-me sempre por melhorar. ções e adoptando uma atitude capaz. tenho de bom. positiva perante a vida. III-A10. Conheço bem as minhas capacidades e invisto no meu desenvolvimento. 7
  • 10.
    Desenvolvimento Social Dimensão dapersonalidade: a integração social Trilhos Educativos: • Exercer activamente cidadania [direitos e deveres; tolerância social; intervenção social] • Solidariedade e tolerância [serviço; interajuda; tolerância] • Interacção e cooperação [assertividade; espírito de equipa; assumir o seu papel nos grupos de pertença] Foto: Autor desconhecido Trilho Educativo Exercer activamente cidadania [direitos e deveres; tolerância social; interven- ção social] I Secção II Secção III Secção Objectivo Educativo Final I-S1. Conheço as regras de II-S1. Dou exemplo de cum- III-S1. Conheço os meus F-S1. Conhecer e exercer boa educação que me fazem primento das regras de boa deveres e direitos e promovo os seus direitos e deveres dar bem com os outros. convivência na comunidade. que, à minha volta, os outros enquanto cidadão. os conheçam. I-S2. Participo da melhor II-S2. Descubro a necessida- III-S2. Participo activamente F-S2. Participar activa e vontade em todas as activi- de de participar nos vários nas comunidades em que me conscientemente nos vários dades grupos onde me integro . insiro, intervindo na promo- espaços sociais onde se insere, ção de causas comuns. intervindo de uma forma I-S3. Respeito aquilo que é II-S3. Cuido do que é de informada, respeitadora e de todos. todos. construtiva. I-S4. Não me aborreço II-S4. Aceito as derrotas em III-S3. Quando perco uma vota- F-S3. Respeitar as regras quando perco nas votações e todas as situações, com res- ção, aceito a decisão e trabalho democráticas e assumir como nos jogos. peito e sem desanimar. nesse sentido. suas as decisões tomadas colectivamente. 8
  • 11.
    Trilho Educativo Solidariedade e tolerância [serviço; interajuda; tolerância] I Secção II Secção III Secção Objectivo Educativo Final I-S5. Procuro ser útil aos II-S5. Sou sensível às situa- III-S4. Identifico situações F-S4. Assumir que é parte da outros no meu dia-a-dia. ções de necessidade no meio em que posso ser útil na sociedade onde se insere, que me rodeia e procuro ser resolução ou minimização de agindo numa perspectiva útil na sua resolução. um problema social. de serviço libertador e de construção de futuro. III-S5. Participo, sozinho ou em equipa, na resolução ou minimização de um proble- ma social. I-S6. Sou capaz de escutar e II-S6. Sei manter um diálogo, III-S6. Exponho as minhas F-S5. Usar de empatia na dar importância às opiniões apresentando os meus argu- ideias, respeitando e valorizan- forma de comunicar com dos outros, aguardando a mentos com entusiasmo e do as dos outros. os outros, demonstrando minha vez de falar. ouvindo os dos outros. tolerância e respeito perante outros pontos de vista. Trilho Educativo Interacção e cooperação [assertividade; espírito de equipa; assumir o seu papel nos grupos de pertença] I Secção II Secção III Secção Objectivo Educativo Final I-S7. Sou capaz de trabalhar II-S7. Reconheço as vanta- III-S7. Valorizo as diferentes F-S6. Mostrar capacidade de com os outros. gens de trabalhar em grupo funções no grupo e desem- relacionamento e trabalho e contribuo com os meus penho o melhor possível em equipa, contribuindo conhecimentos e o meu aquelas que me são confia- activamente para o sucesso do colectivo através do de- trabalho. das. sempenho com competência do seu papel. I-S8. Sou amigo dos outros II-S8. Demonstro que sei III-S8. Respeito as necessidades F-S7. Assumir papéis de quando sou eu a mandar. orientar respeitando as opi- do grupo, nunca sobrepondo a liderança, de forma equilibra- niões dos outros. minha liderança. da, tendo em conta as suas necessidades e as do grupo. 9
  • 12.
    Desenvolvimento Intelectual Dimensão dapersonalidade: a inteligência Trilhos Educativos: • Procura do conhecimento [desejo do saber; procura e selecção de informação; iniciativa; auto-formação] • Resolução de problemas [capacidade de análise e síntese; utilização de novas técnicas e métodos; selecção de estratégias de resolução; análise crítica da solução encontrada; capacidade de adaptação a novas situações] • Criatividade e Expressão [apresentação lógica de ideias; criatividade; discurso adequado] Foto: Telmo Domingues Trilho Educativo Procura do conhecimento [desejo do saber; procura e selecção de informa- ção; iniciativa; auto-formação] I Secção II Secção III Secção Objectivo Educativo Final I-I1. Proponho à Alcateia II-I1. Procuro descobrir o III-I1. Procuro sempre F-I1. Procurar de forma temas novos para pesquisar. mundo que me rodeia, a par- aumentar os meus conhe- activa e continuada novos tir das minhas experiências. cimentos, diversificando as saberes e vivências, como vivências. forma de contribuir para o seu crescimento pessoal. I-I2. Sei onde procurar e II-I2. Conheço e utilizo dife- III-I2. Sei onde procurar a F-I2. Conhecer e utilizar guardar novas informações. rentes meios de recolha da informação e selecciono-a de formas adequadas de recolha informação. acordo com as necessidades. e tratamento de informação e, dentro dessas, distinguir o essencial do acessório. I-I3. Sou capaz de escolher o II-I3. Descubro as minhas III-I3. Conheço as minhas F-I3. Definir o seu itinerário de que mais gostava de fazer e aptidões e aprofundo os aptidões, sou capaz de optar formação preocupando-se em aprender. assuntos que me interessam por uma área profissional ou mantê-lo actualizado. e podem ser úteis no futuro. de estudo e identificar outros domínios de interesse pessoal. 10
  • 13.
    Trilho Educativo Resolução de problemas [capacidade de análise e síntese; utilização de novas técnicas e métodos; selecção de estratégias de resolução; análise crítica da solução encontrada; capacidade de adaptação a novas situações] I Secção II Secção III Secção Objectivo Educativo Final I-I4. Sou desembaraçado e II-I4. Enfrento situações no- III-I4. Sei avaliar as experiên- F-I4. Adaptar-se e superar no- uso as coisas que aprendo vas usando o que aprendi. cias que vivo e utilizo o que vas situações, avaliando-as à luz para resolver problemas. aprendo de forma criativa de experiências anteriores e nas novas situações que conhecimentos adquiridos. enfrento. I-I5. Sei dizer quando há um II-I5. Consigo identificar, de III-I5. Analiso problemas, F-I5. Analisar os problemas de problema e o que é preciso forma organizada, as causas proponho soluções e escolho a forma crítica, sugerindo e apli- fazer para o resolver. de um problema e propor mais adequada. cando estratégias de resolução soluções. dos mesmos. Trilho Educativo Criatividade e Expressão [apresentação lógica de ideias; criatividade; discurso adequado] I Secção II Secção III Secção Objectivo Educativo Final I-I6. Gosto de imaginar e de II-I6. Aceito desafios que me III-I6. Assumo o desafio F-I6. Ser capaz de utilizar co- fazer coisas novas. fazem imaginar e criar coisas de criar ideias e projectos nhecimentos, percepções e diferentes. inovadores em que relaciono intuições na criação de novas os meus conhecimentos e ideias e obras, mantendo um espírito aberto e inovador. gostos. I-I7. Sou capaz de apresen- II-I7. Utilizo de modo criativo III-I7. Apresento ideias e F-I7. Expressar ideias e emo- tar e explicar aquilo que diferentes formas de expres- emoções de forma criativa, ex- ções de forma lógica e criativa, imagino. sar ideias e emoções. plorando diferentes técnicas e adaptada ao[s] destinatário[s] meios e adequando-as a quem e utilizando os meios adequa- me dirijo. dos. 11
  • 14.
    Desenvolvimento Físico Dimensão dapersonalidade: o corpo Trilhos Educativos: • Desempenho [rentabilizar e desenvolver as suas capacidades, destreza física; conhecer os seus limites] • Auto-conhecimento [conhecimento e aceitação do seu corpo e do seu processo de maturação] • Bem-estar físico [manutenção e promoção: exercício; higiene; nutrição; evitar comportamentos de risco] Foto: Ary da Cunha Trilho Educativo Desempenho [rentabilizar e desenvolver as suas capacidades, destreza física; conhecer os seus limites] I Secção II Secção III Secção Objectivo Educativo Final I-F1. Participo em actividades II-F1. Pratico actividades físi- III-F1. Testo de forma res- F-F1. Praticar actividade físicas que me ajudam a ser cas em que testo as minhas ponsável os limites do meu física que promova o desen- mais ágil e habilidoso. capacidades e torno-me mais corpo e pratico actividades volvimento e manutenção ágil, flexível e desembara- físicas que me permitem da agilidade, flexibilidade e destreza de forma adequada çado. conseguir um desenvolvi- à sua idade, capacidade e mento equilibrado. limitações. 12
  • 15.
    Trilho Educativo Auto-conhecimento [conhecimento e aceitação do seu corpo e do seu proces- so de maturação] I Secção II Secção III Secção Objectivo Educativo Final I-F2. Conheço os principais II-F2. Aceito que o meu cor- III-F2. Aceito as característi- F-F2. Conhecer e aceitar o órgãos do meu corpo, sei po está a mudar e respeito cas próprias do meu corpo e desenvolvimento e amadu- onde estão localizados e para os diferentes ritmos de respeito as diferenças físicas recimento do seu corpo com que servem. desenvolvimento quando me entre as pessoas. naturalidade. comparo com os outros. I-F3. Conheço as principais II-F3. Conheço o diferente rit- III-F3. Reconheço que homens F-F3. Conhecer as caracte- diferenças do corpo das mo de crescimento dos rapa- e mulheres têm características rísticas fisiológicas do corpo meninas e dos meninos. zes e raparigas e respeito o físicas diferentes e respeito os masculino e feminino e a sua espaço próprio de cada um. comportamentos e necessida- relação com o comportamen- des que vão surgindo. to e necessidades individuais. Trilho Educativo Bem-estar físico [manutenção e promoção: exercício; higiene; nutrição; evitar comportamentos de risco] I Secção II Secção III Secção Objectivo Educativo Final I-F4. Sei o que devo e não II-F4. Sei equilibrar as minhas III-F4. Faço escolhas saudá- F-F4. Cultivar um estilo de devo comer e que tenho de actividades físicas com o veis a nível da minha alimen- vida saudável e equilibrado descansar. descanso e uma alimentação tação, repouso e actividades – alimentação, actividade saudável. físicas. física e repouso –, adaptado a cada fase do seu desenvol- vimento. I-F5. Cuido do meu corpo e II-F5. Esforço-me por ter III-F5. Tomo as medidas F-F5. Cuidar e valorizar o do meu aspecto. bom aspecto e tenho hábitos necessárias para o meu seu corpo de acordo com os regulares de higiene que bem-estar físico e ando padrões de saúde, revelando contribuem para a minha aprumado. aprumo. saúde. I-F6. Sei que há comporta- II-F6. Identifico e evito com- III-F6. Conheço os malefícios F-F6. Identificar e evitar, na mentos e produtos que me portamentos e substâncias das substâncias e comporta- vida quotidiana, os comporta- podem fazer mal. prejudiciais à saúde. mentos de risco e evito-os. mentos de risco relacionados com a segurança física e consumo de substâncias. 13
  • 16.
    Desenvolvimento do Carácter Dimensãoda personalidade: a atitude Trilhos Educativos: • Autonomia [tornar-se independente; capacidade de optar; construir o seu quadro de referências] • Responsabilidade [ser consequente; perseverança e empenho; levar a bom termo um projecto assumido] • Coerência [viver de acordo com o seu sistema de valores; defender as suas ideias] Foto: Maria Helena Guerra Trilho Educativo Autonomia [tornar-se independente; capacidade de optar; construir o seu quadro de referências] I Secção II Secção III Secção Objectivo Educativo Final I-C1. Sei a Lei e as Máximas II-C1. Conheço e compre- III-C1. Escolho consciente- F-C1. Possuir e desenvolver da Alcateia e percebo o que endo a Lei do Escuta e os mente as minhas referências um quadro de valores que querem dizer. Princípios. e valores fundamentais. são fruto de uma opção consciente. I-C2. Tenho em conta a opi- II-C2. Assumo as minhas opi- III.C2. Sou capaz de fazer F-C2. Ser capaz de formular nião dos mais velhos quando niões, participando activa- opções e de reconhecer as e construir as suas próprias tomo decisões. mente nas decisões que me suas implicações. opções, assumindo-as com dizem respeito. clareza. I-C3. Participo em activi- II-C3. Escolho e participo em III-C3. Estabeleço para mim, F-C3. Mostrar-se responsável dades que me ajudam a actividades que me ajudam com regularidade, metas a pelo seu desenvolvimento, co- aprender coisas novas. a crescer. atingir em várias áreas da locando a si próprio objectivos minha vida. de progressão pessoal. 14
  • 17.
    Trilho Educativo Responsabilidade [ser consequente; perseverança e empenho; levar a bom termo um projecto assumido] I Secção II Secção III Secção Objectivo Educativo Final I-C4. Cumpro as tarefas que II-C4. Desempenho o papel III-C4. Correspondo à confian- F-C4. Demonstrar empenho me são dadas, porque sei que me é atribuído dentro ça que em mim depositam. e vontade de agir, assumindo que isso é importante para dos grupos a que pertenço as suas responsabilidades todos. com responsabilidade e III-C5. Reconheço a impor- em todos os projectos que enceta, estabelecendo priori- empenho. tância das minhas tarefas, dades e respeitando-as. estabeleço prioridades e respeito-as. I-C5. Não desisto, mesmo II-C5. Não desanimo perante III-C6. Encaro os obstáculos F-C5. Demonstrar perseverança quando as tarefas são as dificuldades e procuro sem desistir de encontrar nos momentos de dificuldade, difíceis. sempre aprender com elas. soluções ou alternativas e re- procurando ultrapassá-los com conhecendo as lições a tirar. optimismo. I-C6. Reconheço que as II-C6. Prevejo as consequên- III-C7. Assumo as minhas ac- F-C6. Ser consequente com as minhas acções têm conse- cias que as minhas acções/ ções, aceitando as consequên- opções que toma, assumindo quências. decisões têm na vida dos cias das mesmas para mim ou a responsabilidade pelos seus grupos de que faço parte. para os grupos a que pertenço. actos. Trilho Educativo Coerência [viver de acordo com o seu sistema de valores; defender as suas ideias] I Secção II Secção III Secção Objectivo Educativo Final I-C7. Defendo o que me II-C7. Defendo as ideias e III-C8. Partilho e defendo F-C7. Ser consistente e parece certo de forma alegre comportamentos que me aquilo em que acredito de convicto na defesa das suas e calma. parecem correctos. forma serena e fundamen- ideias e valores. tada. I-C8. Mostro, pelas minhas II-C8. Demonstro que os III-C9. Ajo, em cada dia, de F-C8. Dar testemunho, agindo acções, que conheço a Lei e meus comportamentos diá- acordo com as convicções e em coerência com o seu siste- as Máximas da Alcateia. rios estão de acordo com a referências que vou tomando ma de valores. Lei do Escuta e os Princípios. para mim, tendo consciência do testemunho que dou aos outros 15
  • 18.
    Desenvolvimento Espiritual Dimensão dapersonalidade: o sentido de Deus Trilhos Educativos: • Descoberta [disponibilidade interior; interiorização progressiva; busca do transcendente no específico cristão] • Aprofundamento [dar testemunho pelos actos do dia-a-dia; viver em comunidade; estar aberto ao diálogo inter-religioso] • Serviço [integração e participação activa na Igreja; participar na construção de um mundo novo; evangelização] Foto: João Lagartinho Trilho Educativo Descoberta [disponibilidade interior; interiorização progressiva; busca do transcendente no específico cristão] I Secção II Secção III Secção Objectivo Educativo Final I-E1. Conheço as primeiras II-E1. Conheço e compre- III-E1. Conheço e compreen- F-E1. Conhecer e compreen- histórias da Bíblia. endo a história dos heróis do a vida dos profetas. der o modo como Deus se que procuraram alcançar a deu a conhecer à huma- Terra Prometida, a partir da nidade, propondo-lhe um Projecto de Felicidade Plena Aliança. [História da Salvação]. I-E2. Sei como Jesus nasceu II-E2. Conheço e percebo a III-E2. Conheço e percebo a F-E2. Conhecer em profun- e que Ele quer ser o meu mensagem contida nas pa- vida de Jesus com os Após- didade a mensagem e a pro- melhor amigo. rábolas e milagres de Jesus tolos. posta de Jesus Cristo [Mistério Cristo. da Encarnação e Mistério Pascal]. I-E3. Sei que a Igreja é uma II-E3. Descubro que somos III.E3. Reconheço que cada F-E3. Reconhecer que a família a que eu pertenço. Igreja e que nela todos membro da Igreja é diferente pertença à Igreja é um sinal temos um papel a desem- e que isso é importante e de Deus no mundo de hoje penhar. enriquece a comunidade. [Igreja Sacramento Universal de Salvação]. 16
  • 19.
    Trilho Educativo Aprofundamento [dar testemunho pelos actos do dia-a-dia; viver em comuni- dade; estar aberto ao diálogo inter-religioso] I Secção II Secção III Secção Objectivo Educativo Final I-E4. Sei que a oração diária II-E4. Sei que me relaciono III-E4. Vivo a oração como F-E4. Aprofundar os hábitos é a maneira de eu falar com com Deus sempre que faço parte do meu quotidiano e de oração pessoal e assumir- Jesus. oração pessoal e participo na participo nas celebrações se como membro activo da oração comunitária. comunitárias. Igreja na celebração comu- nitária. I-E5. Imito Jesus, porque II-E5. Integro-me cada vez III-E5. Conheço a perspectiva F-E5. Integrar na sua vida os sei que Ele é um exemplo a mais na minha comunida- da Igreja sobre os temas valores do Evangelho, vivendo seguir. de paroquial, através da principais a partir da funda- as propostas da Igreja. catequese, celebrando os mentação Bíblica. sacramentos que a Igreja me propõe. I-E6. Identifico diferentes II-E6. Identifico as principais III-E6. Aprofundo as razões da F-E6. Conhecer as principais religiões. diferenças e semelhanças minha fé no contacto com as religiões distinguindo e valo- entre as religiões. outras religiões. rizando a identidade da Igreja Católica. Trilho Educativo Serviço [integração e participação activa na Igreja; participar na construção de um mundo novo; evangelização] I Secção II Secção III Secção Objectivo Educativo Final I-E7. Respeito a Criação de II-E7. Cuido e protejo a III-E7. Defendo a vida huma- F-E7. Testemunhar que a Deus [pessoas e Natureza] Natureza,consciente de que na como um valor absoluto. presença de Deus no mundo isso é importante para a vida dignifica a vida humana e a das pessoas. Natureza. I-E8. Falo de Jesus aos meus II.E8. Falo da minha vivência III-E8. Sei o que é ser “Sal F-E8. Viver o compromisso amigos e explico-lhes porque em comunidade e convido da Terra e Luz do Mundo” Cristão como missão no é que Ele é importante para outros a participar. e ponho-me ao serviço dos mundo em todas as dimen- mim. outros. sões [humanas, sociais, económicas, culturais e políticas]. 17
  • 20.
    MéTODO ESTRUTURA EDUCATIVA Em termospedagógicos, o Corpo Nacional de Escutas organiza as crianças e jovens em quatro Secções de base etária, de acordo com a tabela abaixo. I Secção II Secção III Secção IV Secção Designação Alcateia Expedição Comunidade Clã da Secção Designação Lobito Explorador Pioneiro Caminheiro do elemento Faixa etária Dos 6 aos 10 anos Dos 10 aos 14 anos Dos 14 aos 18 anos Dos 18 aos 22 anos Nos Agrupamentos em que o Escutismo é vivenciado na sua vertente marítima, as designações das Secções e dos elementos tomam a forma constante da tabela abaixo1. I Secção II Secção III Secção IV Secção Designação Alcateia Flotilha Frota Comunidade da Secção Designação Lobito Moço Marinheiro Companheiro do elemento Foto: Autor Desconhecido 1 Neste documento, por uma questão de simplificação de texto, não se utilizam recorrentemente as designações maritímas, estando estas sempre subentendidas. 18
  • 21.
    MéTODO ESCUTISTA O métodoescutista, elemento pedagógico original e identitário do Escutismo, criado por Lord Baden-Powell of Gilwell, é um sistema de auto-educação progressiva, baseado em sete elementos igualmente relevantes, conforme a figura abaixo. Mística e Simbologia Relação Vida na Educativa natureza lei e Promessa Sistema de Aprender Progresso Fazendo Sistema de Patrulhas No Corpo Nacional de Escutas, o método escutista encontra-se estruturado da forma abaixo descrita, sendo realçadas, quando exis- tam, as especificidades de cada Secção. lei e Promessa A Lei e a Promessa constituem o ideário fundacional e fundamental do Escutismo, agregando e apresentando os valores por este preconizados em toda a fraternidade mundial. No Corpo Nacional de Escutas a Lei é: 1. A honra do Escuta inspira confiança. 2. O Escuta é leal. 3. O Escuta é útil e pratica diariamente uma boa acção. 4. O Escuta é amigo de todos e irmão de todos os outros Escutas. 5. O Escuta é delicado e respeitador. 6. O Escuta protege as plantas e os animais. 7. O Escuta é obediente. 8. O Escuta tem sempre boa disposição de espírito. 9. O Escuta é sóbrio, económico e respeitador do bem alheio. 10. O Escuta é puro nos pensamentos, nas palavras e nas acções. O Corpo Nacional de Escutas definiu ainda três Princípios: 1. O Escuta orgulha-se da sua Fé e por ela orienta toda a sua vida. 2. O Escuta é filho de Portugal e bom cidadão. 3. O dever do Escuta começa em casa. 19
  • 22.
    Todos os membrosdo Corpo Nacional de Escutas, à luz dos princípios enunciados, aderem voluntariamente à Associação, no com- promisso com a Lei, base de toda a acção escutista, pela Promessa, concebidas pelo Fundador do Movimento Escutista, nos termos seguintes. Prometo, pela minha honra e com a graça de Deus, fazer todo o possível por: - cumprir os meus deveres para com Deus, a Igreja e a Pátria; - auxiliar o meu semelhante em todas as circunstâncias; - obedecer à Lei do Escuta. No caso da Alcateia, existem as seguintes especificidades: lei 1. O Lobito escuta «Àquêlà». 2. O Lobito não se escuta a si próprio. Máximas 1. O Lobito pensa primeiro no seu semelhante. 2. O Lobito sabe ver e ouvir. 3. O Lobito é asseado. 4. O Lobito é verdadeiro. 5. O Lobito é alegre. Promessa Prometo, da melhor vontade: - ser amigo de Jesus, amando os outros; - respeitar a Lei da Alcateia; - praticar diariamente uma boa-acção. Mística e Simbologia A vivência escutista, independentemente do escalão etário, baseia-se sempre num ambiente simbólico forte que lhe dá enquadra- mento, coerência e consistência. Cada Secção possui e vive um imaginário próprio, isto é um ambiente que a envolve e que se traduz por um espírito e uma linguagem próprios, uma história com heróis e símbolos, induzindo a um sentimento de pertença em relação ao grupo e permitindo a transmis- são de determinados valores: • O Livro da Selva, escrito por Rudyard Kipling [em dois volumes] é o ambiente onde o Lobito vive as suas actividades. • Para o Explorador, o imaginário desenvolve-se em torno da figura do próprio Explorador – aquele que vai mais longe, mais além, aquele que descobre. • Para o Pioneiro, o imaginário desenvolve-se em torno da figura do próprio Pioneiro – aquele que desbrava, que se instala, que constrói, que desenvolve. • Já os Caminheiros não possuem imaginário formal permanente, pois os Caminheiros, como jovens adultos, já perspectivam as suas acções em prática no terreno real, na vida do dia-a-dia. Concomitantemente, cada Secção possui e vive uma mística própria, isto é uma proposta de enquadramento temático e de vivência espiritual que visa aprofundar a descoberta de Deus e a comunhão em Igreja. A Mística do Programa Educativo do Corpo Nacional de Escutas assenta num esquema de quatro etapas, com vista a uma formação humana e cristã integral, sólida e madura. Estas etapas são sequenciais – cada uma é trabalhada para uma Secção, ainda que de forma não estanque – e complementam-se [nenhuma vale por si mesma], na medida em que estão interligadas e adquirem o seu pleno 20
  • 23.
    sentido na sobreposiçãodas partes. Desenrolam-se na lógica de um caminho a percorrer, constituindo um itinerário de crescimento individual e comunitário proposto a cada Escuteiro: • O louvor ao Criador: o Lobito louva DeusCriador, descobrindo-O no que o rodeia; • A descoberta da Terra Prometida: o Explorador aceita a Aliança que o conduz à descoberta da Terra Prometida; • A Igreja em construção: o Pioneiro assume o seu papel na construção da Igreja de Cristo; • A vida no Homem Novo: o Caminheiro vive cristãmente em todas as dimensões do seu ser. No percurso sugerido, procura-se que o Escuteiro compreenda que a sua vida tem duas dimensões, uma sobrenatural e uma natural, e que ambas se relacionam intimamente: Cristo, Senhor da Vida, não se reduz à vivência espiritual e mística do Homem; Ele está pre- sente na vida do dia-a-dia e ao longo de toda a existência humana. É, por isso, presença constante na vida de um Escuteiro. Nesta perspectiva, o itinerário proposto está sempre centrado em Cristo, pois tem no Senhor o seu centro e fonte de irradiação de sentido. JESUS CRISTO O louvor ao A descoberta A Igreja em A Vida no Criador da Terra construção Homem novo Prometida JESUS CRISTO O Lobito louva O Explorador O Pioneiro O Caminheiro Deus-Criador, aceita a Aliança assume o seu Vive cristãmente descobrindo-O que conduz à papel na em todas as no que o rodeia. descoberta da construção da dimensões do Terra Prometida. Igreja de Cristo. seu ser. Para que toda esta vivência seja completa, existe uma panóplia de símbolos – elementos/objectos representativos de realidades, características ou atitudes que materializam o ideal proposto na mística de cada Secção – que ajudam a transmitir e reforçar o ideal presente no imaginário e na mística. No Projecto Educativo do CNE, todas as Secções têm o seu símbolo identificativo, podendo este ser único ou integrado num conjunto de símbolos complementares. O Projecto Educativo do CNE recorre ainda a patronos – santos ou beatos da Igreja que no decurso da sua vida encarnaram na pleni- tude os valores que se pretendem transmitir através da mística e do imaginário de uma determinada Secção, sendo por isso escolhido como protector e exemplo de vivência para os jovens dessa mesma Secção. 21
  • 24.
    Acima de todos,temos Santa Maria, Mãe dos Escutas; seguem-se São Jorge – patrono mundial do Escutismo – e São Nuno de Santa Maria – patrono do Corpo Nacional de Escutas. Cada Secção tem, depois, o seu patrono próprio: • Alcateia – São Francisco de Assis; • Expedição – São Tiago Maior; • Comunidade – São Pedro; • Clã – São Paulo. Adicionalmente, cada Secção recorre ainda a modelos de vida – figuras da Igreja Católica que, à semelhança do patrono, também en- carnam os valores e ideais da mística e do imaginário da Secção e que exprimem a diversidade de caminhos e carismas possíveis para os viver – e a grandes figuras históricas – personalidades que na sua vida realizaram grandes feitos, associados ao imaginário da Secção, que marcaram a história da humanidade. I Secção II Secção III Secção IV Secção Imaginário Livro da Selva Explorador Pioneiro sem imaginário formal [o que descobre] [o que constrói] Mística O Louvor ao Criador A descoberta da Terra A Igreja em construção A vida no Homem Novo Prometida Símbolos Cabeça de Lobo Flor-de-Lis Rosa-dos-Ventos Vara Bifurcada Vara Machada Tenda Chapéu Gota de Água Mochila Cantil Icthus Evangelho Estrela Pão Fogo Patrono São Francisco de Assis São Tiago Maior São Pedro São Paulo Modelos de Santa Clara de Assis Abraão São João de Brito São João de Deus Vida Beatos Francisco Moisés Santa Teresinha do Beata Teresa de Calcutá e Jacinta Marto David Menino Jesus Santa Teresa Benedita da Cruz Santo António Santa Catarina de Sena Servo de Deus João Paulo II Santa Isabel de Portugal Santo Inácio de Loyola Figuras --- Grandes Exploradores Grandes Pioneiros Grandes Homens 22
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    Vida na natureza AVida na Natureza é, desde a sua génese, um dos elementos mais marcadamente identificadores do método escutista enquanto proposta pedagógica. Foi com base na exploração da Natureza e na vivência em comunhão com a Natureza, aproveitando os recursos desta e os benefícios do ar livre, que Lord Baden-Powell of Gilwell deu os primeiros passos no desenvolvimento do Escutismo. Desde então, a Natureza constituiu sem- pre espaço e ambiente privilegiado para o desenvolvimento das actividades escutistas, permitindo às crianças e jovens o confronto com os seus próprios limites, o aproveitamento dos recursos naturais, a aprendizagem da vida com simplicidade, uma vivência saudável ao ar livre. Sendo a Natureza – o campo, os cursos de água e o mar, estes últimos sobretudo no caso da vertente marítima do Escutismo – o espaço privilegiado para o desenvolvimento de actividades escutistas, uma adequada vivência nestes ambientes exige um conjunto de conhecimentos técnicos, de procedimentos de segurança e uma postura ética particulares, que a cada Escuteiro cumpre saber e exercer, na medida da sua idade e maturidade, no desempenho das suas actividades. Assim, aos elementos de cada Secção são disponibilizados materiais pedagógicos que permitem a aquisição de conhecimentos técnicos, éticos e de segurança – incluindo os específicos para a vertente marítima do Escutismo – possibilitando-lhes viver plenamente a actividade típica da sua Secção. Ao Dirigente compete criar oportunidades educativas, em campo, para que estas técnicas possam ser aplicadas e desenvolvidas. Foi assim ao longo de 100 anos e continua a ser assim, na Natureza – em actividades típicas como construções em campo, jogos de pista, acampamentos, raids, hikes, etc. – que se fez e faz Escutismo, preservando e retirando o máximo proveito pedagógico de uma das mais interessantes especificidades do método escutista. Aprender Fazendo O Escutismo tem como objectivo ajudar as crianças e os jovens a desenvolver integralmente as suas capacidades, para que se tornem membros activos e responsáveis na sua comunidade. Desenvolvimento esse que resulte progressivamente em maior autonomia da criança ou do jovem. Para tal, esta não pode apenas ouvir dizer ‘como é que se deve fazer’ ou ver os outros a actuar. Para aprender é necessário experimentar, sentir, estar nas situações. Isto porque a aprendizagem é um processo dinâmico e activo. O jogo – num sentido amplo – é, pois, elemento essencial do Escutismo. Nele, a criança ou o jovem encontram desafios e obstáculos, desenvolvem capacidades e solidariedades, aprendem e crescem com os outros e uns com os outros. As actividades escutistas são, assim, iniciativas e acções, planeadas e desenvolvidas pelas crianças e jovens, com acompanhamento adulto, que consubstanciam o jogo escutista e respondem às suas aspirações de descoberta e realização, contemplando uma sequên- cia de oportunidades educativas diversificadas nas fases da escolha, planeamento, concretização e avaliação. Agente activo na escolha dos projectos que quer realizar – motivado pelas suas escolhas, pelos pares, pela saudável competição – a criança ou o jovem envolve-se na sua realização, o que significa que vai aprender pela acção, percebendo a utilidade do que aprendeu [o que o motiva para aprender mais], desenvolver as suas capacidades e descobrir habilidades e gostos que, de outro modo, provavelmente não descobriria. Elemento estruturante do aprender fazendo é a metodologia do projecto, a qual permite às crianças e aos jovens, de uma forma participada e em ambiente seguro, transformar sonhos e aspirações em actividades, vivências e experiências enriquecedoras, que contribuem para o seu desenvolvimento pessoal. Em geral, um projecto é um conjunto determinado de acções inter-relacionadas que se planeiam e implementam com vista a atingir um objectivo último num determinado prazo. Neste contexto, um projecto escutista caracteriza-se por: • ser um desafio colectivo; • ter uma meta clara e um horizonte temporal; • envolver quatro fases principais; 23
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    estar baseado no uso do método escutista; • incorporar uma variedade de oportunidades educativas; • ter em conta interesses, talentos, capacidades e necessidades distintas; • procurar que cada criança e cada jovem esteja comprometido no atingir do objectivo comum através do seu esforço pessoal. Em face disto, o valor educativo da metodologia do projecto reside em: • desenvolver a capacidade de dialogar e trabalhar em cooperação com outros; • contribuir para garantir uma genuína participação dos jovens nas decisões que lhes dizem respeito e dar-lhes esse “treino”; • desenvolver a responsabilidade; • desenvolver o sentido de “propósito” [efeito motivador]; • permitir a descoberta de talentos ou a sua busca; • permitir treinar competências de diversa ordem; • criar hábitos de funcionamento “em projecto” [úteis para a vida contemporânea]. As designações do projecto, nas diversas Secções, são as constantes na tabela abaixo. I Secção II Secção III Secção IV Secção Designação Caçada Caminhada Aventura Empreendimento do Projecto Nos Agrupamentos em que o Escutismo é vivenciado na sua vertente marítima, as designações do projecto em cada uma das Secções tomam a forma constante da tabela abaixo. I Secção II Secção III Secção IV Secção Designação Caçada Campanha Expedição Cruzeiro do Projecto A metodologia do projecto estrutura-se segundo as seguintes fases, sendo a participação nas mesmas, pelas crianças ou jovens, função da respectiva idade e maturidade. • 1.ª Fase: Idealização e Escolha Motivação / Concepção / Apresentação / Escolha • 2.ª Fase: Preparação Enriquecimento / Organização / Planeamento • 3.ª Fase: Realização Concretização / Vivência • 4.ª Fase: Avaliação Avaliação / Celebração 24
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    Sistema de Patrulhas OSistema de Patrulhas, tal como idealizado por Lord Baden-Powell of Gilwell, pelo qual as crianças e jovens de um grupo se organi- zam em pequenos grupo com uma identidade e vida própria, uma liderança e organização interna, constitui um dos elementos mais marcantes e distintivos do Escutismo enquanto pedagogia educativa. A patrulha, ou outra denominação que o pequeno grupo assuma, é o local onde as crianças e jovens, sob a liderança de um de- les, estabelecem relações e são chamados a assumir diversas tarefas para a promoção do bem-comum, incentivando-se, assim, a co-responsabilidade que potencia a aprendizagem da democracia e da solidariedade, bem como a compreensão do papel do líder e da importância de uma boa e equilibrada liderança para o desenvolvimento do grupo. I Secção II Secção III Secção IV Secção Designação do peque- Bando Patrulha Equipa Tribo no grupo Efectivo 4 a 7 Lobitos 4 a 8 Exploradores 4 a 8 Pioneiros 4 a 8 Caminheiros Género Aconselha-se misto Aconselha-se mista Aconselha-se mista Aconselha-se mista Identidade Uma de cinco cores: Nome de animais Nome de Santo da igreja, Nome de Santo da igreja, branco, cinzento, preto, ou um pioneiro da Huma- ou um benemérito da castanho e ruivo nidade ou herói nacional. Humanidade ou herói nacional. liderança Guia de Bando Guia de Patrulha Guia de Equipa Guia de Tribo Constituição da Unidade 2 a 5 Bandos 2 a 5 Patrulhas 2 a 5 Equipas 10 a 32 Caminheiros Designação do local de Covil Base Abrigo Albergue reunião Nos Agrupamentos em que o Escutismo é vivenciado na sua vertente marítima, as designações do pequeno grupo e do respectivo líder, em cada uma das Secções tomam a forma constante da tabela abaixo. I Secção II Secção III Secção IV Secção Designação do peque- Bando Tripulação Equipagem Companha no grupo liderança Guia de Bando Timoneiro Mestre Arrais É o Sistema de Patrulhas que faz do Escutismo um verdadeiro esforço de cooperação, um método de educação natural e não formal, onde cada jovem, com as suas particularidades e curiosidades muito pessoais, cresce com os outros e entre eles. Em que os pares se reconhecem pela vivência conjunta e pela prática da Lei do Escuta. 25
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    A patrulha éuma “micro-sociedade”, onde cada escuteiro desempenha um papel. Ao assumir a responsabilidade de determinadas tarefas no seio da patrulha, o escuteiro torna-se responsável por si mesmo e... cresce! O Sistema de Patrulhas proporciona ainda a perda da perspectiva egocêntrica, e permite às crianças e jovens a criação de hábitos de divisão de tarefas e bens, unindo os jovens num ideal comum, repleto de camaradagem, cumplicidade e amizade. Relacionado com o Sistema de Patrulhas, e com a forma como este se articula na Unidade permitindo a vivência do método do pro- jecto, é o sistema de reuniões e conselhos que dão suporte a toda a vivência das patrulhas e da Unidade. O Escutismo vive primordialmente ao ar livre, na Natureza, mas não prescinde da vivência em sede, onde cada bando, patrulha, equipa e tribo tem o seu espaço próprio, o seu canto, onde guarda o seu material, onde cultiva e preserva a identidade e memória, e onde reúne. O espaço de reunião, espaço próprio e reservado do bando, patrulha, equipa ou tribo, é um momento importante do crescimento escu- tista, e assim deve ser valorizado, pois permite impulsionar o sentido da participação em comum, baseada no diálogo e na cooperação, da organização e planeamento, da visão crítica e avaliação, da auto-gestão com responsabilidade. Elemento crucial da vida das Unidades é o Conselho de Guias, órgão permanente que, sob a coordenação do Chefe de Unidade, ori- enta a vida da Unidade. O papel do Guia é assim fundamental, não apenas na liderança e coordenação do bando, patrulha, equipa ou tribo, como também na representação deste junto da Unidade, através do Conselho de Guias. Sistema de Progresso Sendo o auto-desenvolvimento de cada criança e jovem a finalidade do Escutismo, a progressão pessoal, que se concretiza nos objec- tivos educativos constitui a métrica proposta para cada etapa etária. O Sistema de Progresso, que procura envolver – de forma consciente – cada criança e jovem no seu próprio desenvolvimento, é a principal ferramenta de suporte à progressão pessoal, assentando numa perspectiva personalista, considerando as características individuais de cada um, e baseando-se num conjunto de objectivos educativos. O Sistema de Progresso permite, pois, atingir os objectivos educativos da Secção [adquirir conhecimentos, competências e atitudes], sendo um factor de motivação para a criança ou jovem [ser e fazer melhor], sendo, portanto, um guia no seu percurso de desenvolvimento, oportunidade de aprofundamento de habilidades próprias e de valorização pessoal ou até mesmo de descoberta vocacional. O Sistema de Progresso impulsiona o jovem a adquirir hábitos de análise e planeamento da sua vida. A Estrutura do Sistema de Progresso A passagem das crianças e dos jovens por uma Secção é distribuída em duas grandes fases – a integração e a vivência. Durante a integração, as crianças e os jovens realizam a sua adesão e são sujeitos a um diagnóstico inicial; durante a vivência, evoluem nas etapas de progresso. Todas as crianças e jovens são diferentes em diversos aspectos [idade, contextos familiares e escolares, níveis de desenvolvimento, ap- tidões e dificuldades], pelo que poderão estar em estádios de desenvolvimento pessoal diferentes, não obstante a similitude de idades. Assim, logo ao chegar a uma Secção, a criança ou jovem é sujeito a um diagnóstico inicial, pelo qual se afere o respectivo grau de maturidade e, em consonância, se irá definir o respectivo posicionamento, após concretizada a adesão, em termos de etapa de progresso [ou seja, que objectivos educativos já cumpre e que equivalência será atribuída em termos de etapa de progresso]. A responsabilidade do diagnóstico inicial é do Chefe de Unidade, o qual o deve realizar, conforme a idade e maturidade da criança ou 26
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    jovem, a partirde uma conversa informal com o próprio, com os respectivos pais, com a colaboração do respectivo Guia, bem como através da observação do aspirante ou noviço durante as primeiras actividades, podendo-se, ainda, recorrer a dinâmicas e jogos específicos para o efeito. Este procedimento é crucial para a posterior escolha dos trilhos [objectivos, no caso do Clã], uma vez que esta escolha deve ter em consideração as necessidades de desenvolvimento da criança ou jovem. O aspirante ou noviço deverá ser incentivado a escolher, anualmente, um trilho por área de desenvolvimento pessoal [dois a três objectivos por área de desenvolvimento pessoal, no caso do Clã] onde as suas necessidades de desenvolvimento sejam mais prementes, e a concretizá-los em acções concretas. Assim, no reconhecimento do progresso pessoal, o posicionamento do aspirante ou noviço, após a fase da adesão será: • até 1 trilho de cada área de desenvolvimento alcançado – 1.ª etapa; • entre 1 e 2 trilhos de cada área de desenvolvimento alcançados – 2.ª etapa; • entre 2 e 3 trilhos de cada área de desenvolvimento alcançados – 3.ª etapa. Assim, o cumprimento de uma etapa pressupõe sempre o cumprimento de, pelo menos, [mais] um trilho de cada área de desenvol- vimento pessoal [excepto na última etapa, que termina com o cumprimento pleno de todos os trilhos]. No caso específico dos Caminheiros, em que o progresso pessoal é aferido já pelos objectivos e não por trilhos, o posicionamento do aspirante ou noviço, no reconhecimento do progresso pessoal, após a fase da adesão será: • menos de 2 objectivos de cada área de desenvolvimento alcançado – 1.ª etapa [Comunidade]; • entre 2 a 4 objectivos de cada área de desenvolvimento alcançados – 2.ª etapa [Serviço]; • mais de 4 objectivos de cada área de desenvolvimento alcançados – 3.ª etapa [Partida]. Assim, o cumprimento de uma etapa pressupõe sempre o cumprimento de, pelo menos, [mais] dois objectivos de cada área de desenvolvimento pessoal [excepto na última etapa, que termina com o cumprimento pleno de todos os objectivos]. Concomitantemente, cada Caminheiro é, desde a integração na Secção, convidado a elaborar, e a manter actuali- zado, o seu Projecto Pessoal de Vida – PPV. O Projecto Pessoal de Vida é uma ferramenta pedagógica que auxilia o Caminheiro na gestão do seu auto-desenvol- vimento pessoal, a qual o convida a reflectir e fazer uma análise cuidada de tudo aquilo que constitui a sua vida (a família, os amigos, a escola, o emprego, a relação com Deus, o namoro, a relação consigo próprio e com os outros), a traçar de objectivos para a sua vida (pequenas metas, projectos a longo prazo e grandes sonhos) e a assumir expressamente um compromisso pessoal com o caminho traçado. Assim, o Caminheiro deve articular a escolha dos seus objectivos educativos com a elaboração do seu Projecto Pessoal de Vida o Caminheiro e este deve incluir acções concretas que concretizem esses objectivos. Os objectivos educativos serão assim trabalhados pelos próprios Caminheiros. O Projecto Pessoal de Vida conterá uma parte aberta, em que o Caminheiro expressa as suas escolhas. Essa parte é partilhada com a tribo e com o Chefe de Clã. Será, também, com base nessa partilha que a Carta de Clã – Projecto Comunitário de Vida – deve ser construída. O Chefe de Clã terá assim acesso às escolhas que o Caminheiro fez para o poder apoiar e acompanhar no seu progresso. O Projecto Pessoal de Vida conterá igualmente uma parte fechada, partilhável ou não, em que o Caminheiro ex- pressa objectivos mais pessoais e íntimos. Em resumo, podemos observar o funcionamento do diagnóstico inicial, em termos de posicionamento nas etapas de progresso de cada Secção, nos esquemas abaixo. 27
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    Transição entre Sistemas não; é aspirante Sim de Progresso lobitos [ie, já era Lobito]? Diagnóstico com Idade base no igual à conhecimento não Sim adquirido de entrada na secção? Diagnóstico formal junto dos pais. Sem diagnóstico inicial formal. Adesão. Adesão. Observação directa ao longo da adesão. Após adesão, entra na etapa 1 Aspirante 28 não tem 9 anos e tem Sim 18 trilhos? Passa para os Fica na Alcateia Exploradores, em princípio. Pelo não menos Sim 1 trilho de cada área? 1ª Etapa Pelo Lobo Valente menos não 2 trilhos de Sim cada área? No final da primeira etapa [caso aplicável], é sempre possível que se conclua que, na escolha 2ª Etapa dos novos 6 trilhos, o Lobito já os concluiu e que 3ª Etapa Lobo Cortês Lobo Amigo por isso deverá transitar para a terceira etapa.
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    Transição entre Sistemas não; é aspirante ou noviço de Progresso Sim [ie, já era Explorador]? Diagnóstico com base no conhecimento Exploradores Idade é adquirido e com partici- não Sim superior a 10 pação do Explorador anos? Diagnóstico inicial mais formal com os pais, Diagnóstico em conjunto com o aspirante e observação informal e dinâmicas com o observação informal com dinâmicas específicas. noviço/ aspirante. Noviços: pode haver uma conversa entre Adesão [Apelo]. chefes de unidade para “passar testemunho”. Adesão (Apelo). Algum trilho alcançado é avaliado mais tarde. Primeiro grupo de trilhos não deve repetir os últimos trilhos atingidos nos lobitos. 29 Aspirante não tem 13 anos e tem Sim 18 trilhos? Fica nos Passa para os Exploradores Pioneiros Pelo não menos Sim 1 trilho de cada área? 1ª Etapa Pelo Aliança menos não Sim 2 trilhos de cada área? No final da primeira etapa (caso aplicável), é sempre possível que se conclua que, na escolha dos novos 6 trilhos, o Explorador já os concluiu 2ª Etapa 3ª Etapa e que por isso deverá transitar para a terceira Rumo Descoberta etapa.
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    Transição entre Sistemas de não; é aspirante ou noviço Progresso Sim [ie, já era Pioneiro]? Pioneiros Diagnóstico com base no conhecimento Idade não Sim adquirido e com partici- é superior pação do Pioneiro. a 14 anos? Ele é incentivado a concretizar com acções Diagnóstico inicial mais formal com observação Diagnóstico com base no conhecimento adqui- práticas os objectivos informal e dinâmicas com o noviço/aspirante. rido e com participação do Pioneiro. que se incluem nos Noviços: pode haver uma conversa entre chefes trilhos seleccionados. Adesão (Desprendimento). de unidade para “passar testemunho”. Ele é incentivado a concretizar com acções Adesão (Desprendimento). práticas os objectivos que se incluem nos trilhos seleccionados. Ele é incentivado a concretizar com acções práticas os objectivos que se incluem nos trilhos seleccionados. Algum trilho alcançado é avaliado mais tarde. Primeiro grupo de trilhos não deve repetir os últimos trilhos atingidos nos exploradores. 30 Aspirante não tem 17 anos e tem Sim 18 trilhos? Fica nos Pioneiros Passa para os Caminheiros Pelo não menos Sim 1 trilho de cada área? 1ª Etapa Pelo Conhecimento menos não Sim 2 trilhos de cada No final da primeira etapa, é sempre possível área? que se conclua que, na escolha dos novos 6 trilhos, o Pioneiro já os concluiu e que por isso deverá transitar para a terceira etapa. 2ª Etapa 3ª Etapa Vontade Construção
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    Transição entre Sistemas não; é aspirante ou noviço de Progresso Sim [ie, já é Caminheiro]? Idade Caminheiros não é superior Sim a 18 anos? Diagnóstico inicial formal do noviço/aspirante Diagnóstico inicial formal do aspirante com Diagnóstico com base no conhecimento adqui- com apoio do chefe de clã e de um caminheiro apoio do Chefe de Clã e de um Caminheiro rido e com participação do Caminheiro. mais experiente por ele escolhido, com recurso mais experiente por ele escolhido, com a dinâmicas específicas. recurso a dinâmicas específicas. Ele é incentivado a incluir no seu PPV as acções concretas para atingir os objectivos que esco- Noviços: pode haver uma conversa entre chefes Adesão (Caminho). lhe, apoiando-se do seu Chefe de Clã, e que de unidade para “passar testemunho”. apresenta ao Clã. Adesão (Caminho). Ele é incentivado a incluir no seu PPV as acções concretas para atingir os objectivos PPV tem uma parte aberta e uma parte Algum objectivo dado como alcançado é que escolhe, apoiando-se do seu Chefe de reservada. fechado. Clã, e que apresenta ao Clã. Escolha é baseada em objectivos (2 a 3 de cada área) e não necessariamente em trilhos. Noviço/aspirante é incentivado a concretizar 31 os objectivos que vão ser trabalhados com acções práticas (oportunidades), que insere no seu PPV. Pelo PPV tem uma parte aberta e uma parte não menos 2 Sim reservada. objectivos de cada área? 1ª Etapa Comunidade Pelo menos não 4 objectivos de Sim cada área? 3ª Etapa 2ª Etapa Partida Serviço Nesta última etapa, o caminhei- ro continua a sua progressão e inicia ao desafio. No final da primeira etapa (caso aplicável), é sempre possível que se conclua que, na escolha dos novos 12-18 objectivos, o Caminheiro já os concluiu e que por isso deverá transitar para a terceira etapa.
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    A adesão, queantecede e é concomitante com o diagnóstico inicial, regista-se em dois momentos distintos – a adesão informal e a adesão formal. A adesão informal, inexistente na Alcateia, inicia-se no princípio do último trimestre da vivência escutista na Unidade precedente. Neste período, a criança ou jovem continua a pertencer e a viver em pleno as dinâmicas da sua Unidade. Porém, para que se vá familiarizando, de forma informal, com a Secção seguinte, vai sendo convidado a conhecer a respectiva sala, Equipa de Animação e elementos, modo de funcionamento, uma peque- na actividade; num esquema participado e protagonizado, sobretudo, pelos Guias da Secção que os irá receber. Com a passagem de Secção, no início do ano escutista, tem então início a adesão formal, recebendo o aspirante ou noviço, de ime- diato, a respectiva insígnia de adesão. O objectivo da adesão formal é o de valorizar a tomada de consciência individual do aspirante ou noviço sobre o funcionamento da Unidade, a vivência quotidiana das actividades típicas, a mística e a simbologia, bem como os compromissos que se esperam na nova Secção. É com base nessa tomada de consciência individual que cada aspirante ou noviço toma, por si, a decisão de se propor a aderir à Sec- ção, o que se concretizará com o acto da sua Promessa. A decisão de adesão dos aspirantes e noviços é tomada nos Conselhos de Guias, sendo posteriormente validada nos Conselhos de Unidade. A Promessa, momento marcante da vida de cada Escuteiro e acto que concretiza a adesão de cada criança ou jovem a mais uma etapa do seu desenvolvimento pessoal deve ocorrer no prazo de dois meses. Celebrada a Promessa, a criança ou jovem entra na fase da vivência da Secção. A proposta de progresso assenta na aquisição de co- nhecimentos, competências e atitudes, com base nas três vertentes do saber – o saber-saber, o saber-fazer e o saber-ser. Pretende-se que a dinâmica de progresso vá de encontro aos objectivos definidos para os trilhos, no quadro das áreas de desen- volvimento pessoal. Assim, progredir significará atingir objectivos, ao invés de aumentar o nível de proficiência em conhecimentos, competências e atitudes já anteriormente obtidos. I Secção II Secção III Secção IV Secção Adesão Pata-Tenra Apelo Desprendimento Caminho 1.ª Etapa Lobo Valente Aliança Conhecimento Comunidade 2.ª Etapa Lobo Cortês Rumo Vontade Serviço 3.ª Etapa Lobo Amigo Descoberta Construção Partida Existindo seis áreas de desenvolvimento pessoal, em cada uma três trilhos educativos e, nestes um ou mais objectivos educati- vos, cada criança ou jovem é chamado a construir a sua etapa de progresso anual, seleccionando um trilho de cada uma das di- ferentes áreas de desenvolvimento pessoal [pelo menos dois objectivos por área de desenvolvimento pessoal, no caso do Clã]. A escolha compete inteiramente à criança ou jovem, o qual contará com o apoio e colaboração do seu Guia e Equipa de Animação no diagnóstico dos conhecimentos, competências e atitudes já detidos, na selecção dos trilhos educativos [objectivos, no caso do Clã] que irão constituir as suas etapas e na observação da evolução dos conhecimentos, competências e atitudes que são quotidianamen- te vividos no seio da Unidade e que contribuem para validar os objectivos educativos como atingidos. O progresso concretiza-se quer através das oportunidades educativas que a vivência escutista oferece, quer através de ou- tras oportunidades experienciadas no seio da família ou da comunidade, ou seja, tudo o que as crianças e os jovens fazem dentro e fora das actividades escutistas ajuda-os a alcançar os objectivos educativos da Secção; portanto, a crescer nas seis áreas de desenvolvimento pessoal. 32
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    Os objectivos educativosque se apresentam às crianças e aos jovens não são mais do que propostas ou desafios que podem ser alcançados de forma atractiva e divertida, no seio de um grupo de pares, propostas que permitem que cada criança e jovem viva experiências enriquecedoras, experiências que levam ao desenvolvimento pessoal. Um tipo específico de oportunidades educativas, acessível ao elemento mal inicie a fase da vivência, são as propostas temáticas de especialização e evidenciação de competências particulares que – para cada Secção – são definidas e facultadas às crianças e jovens, e cujo cumprimento e aplicação na vida quotidiana potenciam o crescimento em determinadas áreas de desenvolvimento e trilhos. Muitos conhecimentos, competências e atitudes podem ainda ser adquiridos, pelas crianças e jovens, na sua vivência escolar, ca- tequética, modalidades desportivas que pratiquem ou associações a que pertençam. Cumpre ao Chefe de Unidade verificar esses conhecimentos, competências e atitudes, sem que se exija a sua aquisição em actividade escutista. As oportunidades educativas – sejam actividades que se vivam, cargos ou funções que se exerçam, responsabilidades que se assu- mam, etc. – contribuem, assim, para o alcance dos objectivos educativos de uma forma indirecta e progressiva. Não existe uma relação directa entre a realização de uma oportunidade educativa e o cumprimento de um objectivo educativo. É mediante a avaliação do desenvolvimento da criança ou jovem – e não da realização ou não da oportunidade educativa – que o cum- primento de cada objectivo educativo é aferido. A avaliação dos conhecimentos, competências e atitudes adquiridos e a validação de objectivos educativos concluídos devem ser feitas de forma contínua, ao longo da vivência escutista da criança ou do jovem. O reconhecimento desses objectivos e a consequente atribuição de trilhos educativos ou de etapas de progresso concluídas deve ser feito na fase da celebração das actividades típicas, devendo envolver o elemento, o seu bando, patrulha, equipa ou tribo, o Conselho de Guias, e a Equipa de Animação. Nesta vertente reforça-se o papel e a importância dos pares, ou seja, o papel dos Guias e do Conselho de Guias no acompanhamento e na avaliação do progresso pessoal dos seus elementos, de uma forma muito simples e orientada. O Conselho de Guias, será o espaço privilegiado para a tomada de decisões relacionadas com o progresso dos elementos – escolhas de percurso, avaliação e reconhecimento de progresso, abordagem que implicará, naturalmente, o acompanhamento por parte da Equipa de Animação, ajudando na formação de opiniões e na tomada de decisões em conjunto. O Caminheiro que estiver na Etapa Partida, o seu último ano de Clã, é incentivado a comprometer-se com uma causa pessoal – o Desafio, que envolva uma acção mais continuada no tempo [mínimo de 3 meses e privilegie um esforço de cooperação ou de voluntariado com uma instituição ou organização escolhida pelo Caminheiro. Esta acção, que deve ser apresentada e partilhada no Clã e da qual o Caminheiro deve ir dando testemunho da sua experiência, constitui uma excelente oportunidade para o Caminheiro concluir o seu progresso pessoal, no intuito de receber a Partida. Quando uma criança ou jovem terminar a sua última etapa, ou seja, completar todos os objectivos educativos definidos para a respectiva Secção, irá receber uma anilha de mérito específica para uso no uniforme, de forma a ser reconhecido que completou a totalidade do percurso educativo que lhe foi proposto. Quando um Caminheiro termina o seu progresso pessoal, cumprindo a totalidade dos objectivos educativos finais, receberá a Partida, sinal de que o seu processo educativo terminou e está, assim, preparado para a vida. A Partida de um Caminheiro é auto- proposta quando este se sente preparado, tendo, no entanto, que ser aprovada em Conselho de Clã. 33
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    Relação Educativa Não obstanteo papel primordial da relação entre pares como base da pedagogia educativa escutista, a presença do adulto – e, portanto, a relação educativa que se estabelece entre ele e a criança ou jovem – constitui elemento essencial do método escutista. No Escutismo, o adulto é o garante da educação integral das crianças e jovens da sua Unidade, sendo a sua intervenção, por princípio, subsidiária; ou seja, a acção pedagógica – para além de voltada para a criança ou jovem – deve estar centrada na própria criança ou jovem, chamado a ser, pela vivência do jogo escutista’, protagonista do seu auto-desenvolvimento. O adulto, na medida da idade e maturidade dos jovens, é chamado a recuar na intervenção, competindo-lhe, no entanto, sempre assegurar a existência de um ambiente seguro e propício a uma aprendizagem do tipo aprender-fazendo, bem como da conformidade da vida da Unidade com os ideais e valores com que o Escutismo se identifica e se propõe promover. EnVOlVIMEnTO DO ADUlTO AUTOnOMIA DO JOVEM lOBITOS EXPlORADORES PIOnEIROS CAMInHEIROS A finalidade do Escutismo é que a criança ou jovem se desenvolva em autonomia, logo o papel do adulto não pode ser se- não o da promoção dessa autonomia, sendo que esta relação entre a autonomia da criança ou jovem e o envolvimento, ou a intervenção, do adulto deve perspectivar-se de uma forma dinâmica, progressivamente decrescente e qualitativamente diferenciada, ao longo do percurso educativo da criança ou jovem através das Secções. Dependendo da Secção, há maior ou menor necessidade de “espaço”, mais ou menos graus de liberdade, formas diferentes de companheirismo e de partilha de cumplicidades. Mas em todas as Secções é fundamental a permanência e a sensação de presença do adulto, que transmite segurança, que “está lá” sempre que for preciso e para o que for preciso, que está com as crianças ou jovens e com eles caminha nos bons [incentivando] e nos maus [orientando] momentos. No Escutismo, cumpre ao adulto saber misturar-se com as crianças e os jovens, sem nunca se deixar confundir com os mes- mos, equilíbrio que é a chave de ouro da relação educativa escutista entre as crianças e jovens e os adultos. Por outro lado, ao adulto cumpre garantir que em todas as iniciativas e actividades são cumpridas as normas de segurança legais ou em vigor na Associação, bem como excluídos comportamentos e opções que acarretam riscos irrazoáveis e/ou não devidamente acautelados. Em conclusão, o papel do adulto na relação educativa escutista é o de garante da presença e regular funcionamento dos de- mais elementos constituintes do método escutista, o garante de enquadramento e ambiente para o jogo escutista. 34
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    ACTIVIDADES ACTIVIDADES ESCUTISTAS As actividadesdesenvolvidas e participadas pelas crianças e jovens, às quais directamente se associam algumas das compo- nentes mais marcantes do Escutismo – acção, aventura, desafio, criatividade, contacto com a natureza, etc. – constituem a parte mais visível do Programa Educativo. É através das actividades que se constrói, em boa parte, a percepção da sociedade sobre o que é o Escutismo e são as actividades o que mais – e de facto – atrai as crianças e os jovens ao Escutismo. Num Programa Educativo baseado em objectivos educativos, onde cada criança e jovem é desafiado a alcançar níveis pré- definidos, todas as acções levadas a cabo, seja no âmbito do Escutismo ou fora dele, são meios para alcançar esses mesmos objectivos educativos. O Escutismo propõe e realiza actividades como forma de criar e proporcionar oportunidades educati- vas que, em última análise, contribuam para que as crianças ou jovens alcancem os objectivos educativos estabelecidos, ou seja, para o respectivo desenvolvimento integral. Assim, constituem oportunidades educativas, todas as oportunidades para que cada criança ou jovem possa desenvolver- se nas seis áreas de desenvolvimento pessoal, e que contribuem para ir alcançando os objectivos educativos adoptados, sejam actividades, sejam propostas de desenvolvimento de competência específicas, seja a assumpção de cargos, funções e responsabilidades ao nível do bando, patrulha ou equipa. No entanto, a realização ou participação em actividades não leva automaticamente ao cumprimento de qualquer objectivo, contribui sim para proporcionar conhecimentos, desenvolver com- petências ou despertar atitudes que, de forma gradual e cumulativa, permitem alcançar um ou mais objectivos educativos. A realização de actividades relaciona-se, por outro lado, com uma componente importante do método escutista – o aprender fazendo – enquanto método activo que valoriza a experiência individual para a aquisição de conhecimentos, competências e atitudes. No Escutismo, as crianças e os jovens aprendem fazendo. A aprendizagem pela acção permite uma aprendizagem por descobertas, fazendo com que os conhecimentos, competências e atitudes e se interiorizem de forma natural – experiência. Actividades e experiência são, assim, dois conceitos intimamente interligados, embora claramente distintos. Sendo as acti- vidades o meio privilegiado para alcançar a aprendizagem, as crianças e os jovens aprendem através das experiências que vivem nas actividades. Actividade Experiência • É a acção que se desenvolve entre todos • É o que se passa e é apreendido por cada pessoa • É um instrumento que gera diferentes situações • É o que se obtém da acção desenvolvida • É o resultado que se produz no jovem ao enfrentar di- ferentes situações Actividades/ Experiência Objectivos Educativos Oportunidades Educativas proporcionam permite alcançar 35
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    Neste sentido, asexperiências são pessoais e expressam uma relação pessoal entre cada criança ou jovem e a realidade. Uma única actividade pode gerar diferentes experiências nas crianças e jovens que nela participam, dependendo de uma varieda- de de circunstâncias, designadamente a individualidade de cada um enquanto pessoa. Sendo a actividade e as oportunidades educativas nela intrínsecas comuns ao grupo, a garantia de aprendizagens individuais concretiza-se pelo estímulo a cada criança ou jovem a reflectir sobre o vivenciado, a relacionar com o seu quotidiano e a interiorizar as experiências pessoais vividas, de modo que estas possam de futuro influenciar novos comportamentos. Reforça-se assim a importância do processo de avaliação e da percepção individual de crescimento, adaptado claro a cada escalão etário. Uma actividade é avaliada... por observação para determinar até que ponto os objectivos foram alcançados durante a actividade e no por todos aqueles que nela final da mesma participam Actividades Internas e Externas Porque os objectivos educativos abrangem a totalidade da vida das crianças e dos jovens, existem assim actividades internas e externas. Actividades internas são aquelas que constituem o programa de actividades escutistas, tenham lugar nos bandos, patrulhas, equipas, ou tribos na Unidade ou para além dela. Actividades externas são aquelas em que as crianças e os jovens participam particularmente, por motivos pessoais, familiares, esco- lares ou outros. Ambos os tipos de actividades constituem oportunidades educativas relevantes e a ser devidamente consideradas aquando da avalia- ção do desenvolvimento pessoal de cada criança ou jovem. Actividades Fixas e Variáveis Actividades fixas são as vividas quotidianamente, ou semanalmente, e apresentam habitualmente uma forma simples, rela- cionando-se com o mesmo assunto e realizando-se de forma contínua. São, regra geral, associadas à criação e manutenção do ambiente escutista e à gestão das suas estruturas, de modo a criar a atmosfera correcta para a aplicação do método es- cutista. Ao assegurar a participação dos jovens, a tomada de decisões colectiva e a presença tangível de valores, contribuem para a concretização de objectivos educativos através de momentos tipicamente escutistas – reuniões de patrulha, jogos, vida em campo, fogos de conselho, etc.. Actividades variáveis são as vividas esporadicamente, ou mesmo uma única vez, podendo apresentar formas variadas e referir-se a assuntos diversificados, em função dos interesses das crianças e dos jovens. A respectiva repetição, caso dese- jada, ocorre num futuro espaçado e sem qualquer carácter cíclico. Contribuindo para o alcance claro e específico de um ou mais objectivos educativos, asseguram que o programa corresponde aos interesses e preocupações das crianças e jovens, projectando-os na diversidade do mundo. 36
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    O programa deactividades precisa de ser equilibrado entre estes dois tipos, para que não se caia em situações extremas; nem se tenha um programa assente sobretudo em actividades fixas [o qual se traduz num fechamento e auto-centramento da Unidade, que pode não estará contribuir para o desenvolvimento harmonioso das crianças, para além dos riscos de obso- lescência], nem, se tenha um programa assente sobretudo em actividades variáveis [em que assoma o risco de descaracteri- zação da Unidade, afectando a totalidade da atmosfera educativa, pois a realização de actividades pode tornar-se um fim em si mesmo e não um meio para o desenvolvimento pessoal]. As actividades variáveis devem ser: • Desafiantes [devem envolver um desafio proporcional às capacidades dos jovens]; • Úteis [devem ter como finalidade proporcionar experiências que levem a uma aprendizagem efectiva]; • Gratificantes [os jovens devem sentir que irão alcançar qualquer coisa ou satisfazer algum tipo de desejo]; • Atractivas [devem despertar o interesse e entusiasmo dos jovens]. A abrangência temática das actividades variáveis, que normalmente se realizam articuladamente, é tão ampla quanto o universo e imaginativa a humanidade, envolvendo – entre outros – os seguintes temas: técnicas manuais e competências, conhecimento e protecção da Natureza, direitos humanos e democracia, educação para a paz e desenvolvimento, desporto e aventura, expressões artísticas, serviço comunitário, interculturalidade. Foto: Maria Helena Guerra O presente documento constitui o Programa Educativo do Corpo Nacional de Escutas, ao qual se associam os Documentos de Política Pedagógica aprovados pela Junta Central ou pelos Conselhos Nacionais, que se encontra desenvolvido e explicado nos Projectos Educativos das Secções, constantes do Manual do Dirigente. 37